Terrenos baldios transformados em áreas cultivadas ajudam a combater depressão

As doenças psicológicas têm afetado cada vez mais pessoas no mundo. A depressão é uma das mais comuns, com especialistas estimando que ela se torne a segunda doença mais comum do mundo até 2020 – 5,8% da população brasileira, ou 11,5 milhões de pessoas, é diagnosticada com o problema.

A relação das pessoas com as cidades em que vivem e a força cada vez maior da urbanização são dois dos pontos que podem explicar por que a depressão é diagnosticada com tanta frequência, e um estudo realizado na Filadélfia (EUA) dá uma base científica para essa impressão.

De acordo com a pesquisa, realizada por especialistas da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, a presença de terrenos baldios, onde o mato e lixo de acumulam e a sensação de abandono toma conta, é um fator que pode desencadear a doença. Nos EUA, 15% das áreas urbanas são apontadas como desocupadas.

No estudo, os pesquisadores recrutaram moradores da Filadélfia que vivem próximos a terrenos que estavam abandonados, mas que faziam parte de um programa de revitalização e seriam transformados em áreas cultivadas em breve.

Eles fizeram entrevistas antes e depois dos procedimentos acontecerem e descobriram que, para pessoas que vivem a até 400 metros das chamadas ‘áreas verdes’ apresentam chance 41,5% menor de desenvolver a depressão do que aqueles que vivem próximos a terrenos baldios.

A mesma equipe tinha divulgado uma pesquisa em fevereiro que demonstrava que os casos de violência armada caíram 29% nas regiões próximas a terrenos abandonados depois que estes passavam por transformações e se tornavam áreas verdes.

Os resultados do novo estudo são ainda mais impressionantes ao considerar apenas pessoas que vivem em bairros abaixo da linha de pobreza. Dentro desse recorte, os índices de pessoas com depressão chegou a cair 68% depois de os terrenos serem limpos e cultivados.

“Espaços abandonados são um fator importante que coloca os moradores em um risco maior de depressão e stress, e pode explicar por que as disparidades socioeconômicas persistem ao analisar as doenças psicológicas”, diz Eugenia C. South, uma das pesquisadoras envolvidas com o projeto.

Além de revitalizar áreas plantando áreas verdes, os pesquisadores também escolheram alguns terrenos para serem limpos, mas sem o cultivo de grama ou outras vegetações. Nesses casos, a diferença dos índices de depressão quase não mudaram, o que indica que a simples limpeza pode não influenciar tanto.

“Essa descoberta dá apoio à ideia que a exposição a ambientes naturais pode fazer parte da restauração da saúde mental, particularmente para pessoas vivendo em ambientes urbanos caóticos e estressantes”, comenta John MacDonald, coautor do estudo.

Fotos: Voluntários atuando em Jardins Comunitários. Reprodução/Creative Commons/fonte:via

Hospital usa arte e decoração para ajudar pacientes com problemas de saúde mental

Ao visitarem um amigo em recuperação em um hospital, o artista Tim A Shaw e a artista e curadora Niamh White se viram diante de um evidente e paradoxal dilema: como um local feito para que as pessoas se curem podia ter uma decoração e um espírito tão frio, duro e deslocado da realidade e de tudo que nos faz bem?

Os hospitais não lhes pareciam um lugar planejado visualmente para que nos curássemos. Eles então propuseram ao diretor da unidade de tratamento psiquiátrico do local para que pudessem repensar visualmente o espaço – inserindo arte e decoração nos cômodos como um estimulo à saúde mental dos pacientes.

Hoje já são diversos os hospitais que foram modificados pelo projeto Hospital Rooms, como foi batizada a iniciativa. O processo é simples porém demorado, e visa a capacidade que a arte possui de criar um impacto positivo na comunidade.

Primeiro eles conhecem a equipe do hospital, depois convidam um artista para ir ao local, planejar uma ideia e executa-la. Depois de pronta, uma série de workshops com pacientes e com a equipe é realizada, para conectar ainda mais os envolvidos com a arte inserida ali.

Ao todo o processo leva cerca de um ano.

 

No início, era preciso correr atrás tanto dos artistas quanto dos locais. Hoje, tendo realizado já uma série de projetos bem sucedidos – tanto visualmente quanto no impacto sobre os pacientes – a Hospital Rooms possui uma fila de espera, de artistas e instituições, que querem, através da arte, melhorar a vida dos pacientes, e contribuir um pouquinho em seu processo de cura, de forma quente, instigante e estimulante.

© fotos: divulgação/fonte:via