O Diário de Myriam: relato de menina sobre guerra síria chega ao Brasil graças a mobilização infantil

Myriam Rawick tem 13 anos hoje. Entre os 6 e os 12, ela escreveu um diário sobre o que via e sentia sendo uma criança de Aleppo, na Síria, uma das cidades mais afetadas pelo confronto entre governo e opositores, parte de uma guerra civil que já dura mais de sete anos.

A ideia de registrar as vivências de Myriam partiu da mãe da garota, e ganharam a mentoria do jornalista Philippe Lobjois quando ela tinha 8 anos. Foi o francês quem ajudou a transformar os relatos em livro e voltou para seu país em busca de uma editora disposta a publica-lo.

Foi assim que nasceu o livro “O diário de Myriam“, elogiado internacionalmente e comparado até a “O Diário de Anne Frank”. E a obra ganhou um combustível extra para ser traduzida para o português, em lançamento recente da editora DarkSide.

Alunos de uma escola pública de Osasco (SP) ficaram sabendo sobre o livro durante uma aula de informática, ao acessar o site de conteúdo infantil Joca. Interessadas em poder ler as histórias de Myriam, elas enviaram dezenas de cartas à redação do portal pedindo pela tradução do livro.

Estudantes de outros colégios, públicos e particulares, também escreveram para o Joca. A equipe do jornal decidiu procurar editoras dispostas a publicar a obra, e descobriu que a DarkSide já estava interessada no livro de Myriam.

Algumas cartinhas até foram publicadas na edição brasileira do livro para registar para sempre a movimentação dos estudantes. “O Diário de Myriam” pode ser comprado online, pela Saraiva ou pela Amazon.

Fotos: reprodução/fonte:via

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O emocionante casamento da ex-escrava sexual do ISIS que se tornou símbolo global de luta

Aos 21 anos, Nadia Murad foi capturada e mantida como escrava sexual do ISIS. Tudo aconteceu em 2014, no Iraque, quando ela e mais 7 mil mulheres yazidi foram sequestradas pelo grupo terrorista islâmico.

Antes de ser mantida em cativeiro pelos radicais, a jovem enfrentava dificuldades no vilarejo em que vivia com a família. O fato de seguir uma religião minoritária, segundo Nadia, não era bem visto pelos vizinhos adeptos do islã. Cinco de seus oito irmãos e a mãe foram mortas no período.

“Não é fácil contar a nossa história. Cada vez que falamos, revivemos os terríveis momentos”, conta Murad.  

Depois da obscuridade nas mãos do ISIS, Nadia conseguiu escapar pelo jardim da casa de um dos sequestradores na cidade iraquiana de Mosul. Na sequência, obteve asilo na Alemanha e tempo para apresentar sua história nas Organização das Nações Unidas.

Desde a conquista da liberdade, Nadia Murad reúne esforços para livrar outras pessoas das mãos dos terroristas. A mulher está no comando de um grupo de reconstrução da cidade de Sinjar e mantém conversas com setores de direitos humanos da ONU.

Em postagem no Facebook, ela surpreendeu a todos aos anunciar que está noiva de Abid Shamdenn, ex-intérprete do exército dos Estados Unidos.

“Ontem foi dia especial para mim e Abid. Nós estamos muito gratos e felizes com todo o apoio recebido de nossa família e amigos. Nos encontramos durante tempos difíceis em nossas vidas, mas conseguimos encontrar o amor enquanto lutávamos em uma batalha árdua”, declarou.

Estima-se que mais de 5 mil pessoas da etnia yazidi tenham sido alvo do ISIS apenas em 2014. A ONU garante existir um genocídio em curso contra povos desta etnia no Iraque e Síria. Em 2016, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação de uma comissão investigativa para a coleta de provas sobre a presença do ISIS em solo iraquiano.

Amal Clooney, advogada internacional de direitos humanos, está exercendo importante papel na luta contra práticas criminosas adotadas pelo ISIS. A norte-americana de ascendência libanesa está à frente de processo que exige a condenação do grupo islamista na Corte Internacional de Direitos Humanos. Amal é autora do prefácio do livro The Last Girl, escrito por Nadia Murad

“Devemos desconstruir o ISIS expondo sua brutalidade e levando os criminosos para enfrentar a justiça individualmente”, declarou Amal na sede da ONU, em Nova York.

Fotos: Reprodução /fonte:via

Artista recria o resultado da guerra na Síria em miniatura e espalha maquete pelas ruas

Saskia Stolz, artista holandesa fundadora do Power of Art House, criou uma instalação interativa na Praça do Museu, em Amsterdã, onde apresenta Aleppo depois da guerra da Síria.

Lançada no dia 19 de julho, exatamente 5 anos após o início dos combates, a Living Aleppo aborda o dia a dia na cidade de diversas perspectivas, mostrando como é a vida na cidade devastada pela guerra, em uma exibição instalada ao ar livre, convidando a todos que passam a parar e refletir sobre a situação.

“Vidas foram criadas e destruídas aqui. Famílias começaram, mas também acabaram. Estudos, carreiras e ambições começaram e também terminaram aqui”, contou a artista. Ainda de acordo com Saskia, a ideia da exposição é questionar como o poder público e privado podem reconstruir uma cidade devastada pela guerra. Não somente as casas e sua estrutura física, mas também a confiança das pessoas que ali viviam. Para saber mais, acesse o site do projeto.

Todas as fotos © Power of Art House /fonte:via