As novas fotos de Jimmy Nelson, famoso por eternizar tribos remotas prestes a desaparecer

Jimmy Nelson dedica sua vida a registrar os hábitos de tribos remotas cujos costumes podem desaparecer a qualquer momento.

Em 2013, o fotógrafo lançava seu primeiro livro: Before They Pass Away (que poderia ser traduzido como “Antes que eles desapareçam“). A obra reunia imagens clicadas em 44 países pelo mundo documentando a vida de aldeias, etnias e tribos que podem deixar de existir do dia para a noite.

Já falamos sobre o trabalho do artista aqui. Este ano, ele retorna com um novo livro, intitulado Homage to Humanity (“Homenagem à Humanidade“).

O lançamento será acompanhado de um aplicativo mobile, permitindo uma experiência mais imersiva na vida destas comunidades. “O livro com o aplicativo móvel revelará uma visão intima para as pessoas de mais de trinta culturas icônicas ao redor do mundo“, define o site do fotógrafo.

Junto com a novidade, fotografias inéditas foram divulgadas e mostram o quão incríveis podem ser as sociedades ao redor do mundo. Vem ver algumas delas!

Foto © Jimmy Nelson /fonte:via

Fotógrafo registra mais de 50 tribos e culturas ameaçadas de extinção pelo mundo

Foi em uma viagem ao Bornéu, em 2013, que o fotógrafo polonês Adam Koziol encontrou um propósito nobre e impactante para o seu trabalho. Conversando com um dos últimos remanescentes do povo Iban, Koziol percebeu que, com o progresso e as mudanças atravessadas pelo país, mais de 3 mil anos de cultura e tradição estavam em vias de simplesmente desaparecer. Assim, tornou-se o motivo de seu trabalho registrar tribos e culturas praticamente esquecidas e ameaçadas de extinção por todo o mundo.

Suas fotos visam registrar não só as pessoas como também as marcas e símbolos de tais culturas, como formas de reconhecimento e documentação de elementos formadores de tais povos. Tatuagens, marcas no corpo, ornamentos e vestimentas são um dos focos mais importantes da lente de Koziol, que busca, com suas fotos, chamar a atenção para o perigo de extinção desses povos e de sua história.

Tendo registrado mais de 50 tribos, seu próximo passo é realizar um livro, não só revelando suas comovente fotografias como também detalhando a história e a memória de cada povo, para que, ao menos um pouco, tais imensidões culturais não desapareçam jamais.

© fotos: Adam Koziol /fonte:via

Mais de 100 tribos isoladas ainda existem no mundo todo

Nos encontramos no momento mais conectado e globalizado da história de nossa espécie. Apesar disso, é provável que ainda existam mais de 100 tribos que conseguem viver separadas da sociedade, muitas vezes em total isolamento.

É essa a estimativa da Survival International, uma organização internacional não governamental que defende os povos indígenas ao redor do mundo.

Quem são

É impossível saber quantas dessas tribos existem, exatamente. Elas são grupos de pessoas que evitam ou até rejeitam violentamente o contato com o mundo exterior, feito alcançado em grande parte devido ao seu isolamento geográfico em alguns dos cantos mais remotos do planeta.

Vale notar que, enquanto as chamamos de “isoladas”, é dificílimo para tais tribos evitar completamente o contato com pessoas de fora, e ainda mais difícil evitar o escambo comercial de objetos como facas ou potes fabricados industrialmente.

Infelizmente, a destruição e a exploração do meio ambiente – como o desmatamento de florestas por madeireiros e fazendeiros – colocam muitas dessas culturas em grande risco.

Onde ficam?

A maior parte das tribos isoladas conhecidas vive na América do Sul, nas profundezas da floresta amazônica. O Brasil é possivelmente o país com o maior número delas no mundo todo. Enquanto o governo brasileiro estima que existam até 77 em território nacional, a National Geographic estima até 84. Muitas estão localizadas nos estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre.

A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e outros grupos de defesa procuram proteger os grupos isolados brasileiros mais vulneráveis sem interferir em suas vidas.

A exploração madeireira ilegal na Amazônia representa uma ameaça para os povos indígenas da região, e algumas tribos inclusive já saíram de seu isolamento para protestar contra a devastação.

Antigamente, o governo realizava expedições de “primeiro contato”, sendo que agora a FUNAI procura resguardar essas tribos, optando por ocasionais sobrevoos na floresta para verificar se as tribos continuam por lá ou se os madeireiros estão invadindo ilegalmente suas terras.

Nos países amazônicos com menos recursos para policiar a região, como o Peru, lar de 15 tribos isoladas conhecidas, os conservacionistas têm ainda mais dificuldade para proteger seus habitantes.

Ásia

Também conhecemos tribos sem contato com a sociedade vivendo nos densos planaltos da selva da Nova Guiné, no Sudeste Asiático.

A região da Papua Ocidental, na Indonésia, pode hospedar mais de 40 grupos isolados. Essa estimativa é imprecisa, contudo, devido à dificuldade de exploração por conta do terreno montanhoso e ao fato do governo indonésio ter proibido jornalistas e organizações de direitos humanos de circular pela região.

Alguns grupos desconectados também moram no arquipélago das Ilhas Andamão, entre a Índia e a Península da Malásia.

A Ilha Sentinela do Norte, por exemplo, é a sede dos sentineleses, um grupo que ataca quase qualquer um que apareça em suas terras.

Doença

Uma das maiores preocupações que envolvem o isolamento dessas tribos é que isso implica em maior suscetibilidade a doenças do mundo exterior.

Até recentemente, os Jarawa das Ilhas Andamão evitavam o contato com pessoas de fora, mas novas estradas trouxeram turistas e caçadores à região, levando a surtos de doenças e à exploração da tribo.

Essa é parte da razão pela qual os antropólogos e os defensores dos direitos indígenas apoiam o seu contínuo isolamento.

O principal motivo, entretanto, é que essas tribos são parte de nossa humanidade compartilhada, e suas tradições únicas são algo que vale a pena preservar e proteger.

fonte:[via][IFLS]