Este grupo de macacos entrou na Idade da Pedra

Pesquisadores descobriram que uma população de macacos-prego-da-cara-branca entrou recentemente na Idade da Pedra.

Isso significa que os macacos, que habitam a ilha de Jicarón, no Panamá, começaram a usar ferramentas de pedra para quebrar nozes e mariscos, se tornando a quarta espécie de primata a alcançar o feito, depois de nós.

O comportamento

O grupo de macacos faz parte do Parque Nacional de Coiba. Três ilhas compõem o parque, e macacos-prego vivem em todas as três. No entanto, apenas os de Jicarón começaram a usar as ferramentas. Aliás, apenas os machos de uma determinada região da ilha as utilizam.

“Ficamos surpresos que esse comportamento pareça geograficamente localizado”, disse o principal autor do estudo, Brendan Barrett, do Instituto Max Planck de Ornitologia (Alemanha).

O primeiro relato desse comportamento no parque é de 2004, quando outra autora do estudo, Alicia Ibáñez, notou os macacos com os instrumentos de pedra. Em março de 2017, os pesquisadores colocaram armadilhas fotográficas nas três ilhas para capturar os primatas no ato.

A equipe testemunhou os animais quebrando cocos, caranguejos e caracóis com as ferramentas.

Idade da Pedra: evolução?

Não está claro por que esse comportamento não é mais difundido, ou seja, não é visto em outros grupos pelo menos da mesma ilha. Uma vez que os macacos que usam as ferramentas se movem entre grupos, em teoria, a inovação deveria se espalhar.

Os pesquisadores explicam que é possível que entrar na Idade da Pedra tenha um componente “aleatório”, em vez de ser uma trajetória esperada para os primatas. Por exemplo, um indivíduo mais inteligente do que a média pode começar a usar as ferramentas e outros o copiarem. Dadas as opções alimentares limitadas, as ferramentas podem aumentar suas chances de sobrevivência e assim o comportamento se torna mais difundido.

Mais pesquisas e observações desses macacos irão auxiliar os cientistas a explicar o que está acontecendo.

Os macacos-prego-de-cara-branca são o segundo grupo de primatas americanos a entrar na Idade da Pedra. Macacos-prego da América do Sul também têm usado as ferramentas, possivelmente há 700 anos. O comportamento também já foi observado em macacos na Tailândia e chimpanzés na África Ocidental.

Um artigo com as descobertas da pesquisa pode ser lido no BioArXiv.

fonte:via[IFLS]

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Resgatada há 15 anos, baleia reaparece no litoral catarinense

Dizem que a gente sempre volta para onde nos tratam bem. E essa baleia-franca parece ter levado a sério a ideia….

Há 15 anos, ela foi resgatada após ficar presa em um banco de areia na Lagoa Santa Marta, em Laguna (SC).

Na época, a baleia ainda era um filhote e os cientistas acreditam que ela havia se perdido da mãe pouco tempo depois de desmamar.

Como o resgate ocorreu no fim da tarde, o animal foi apelidado de “Sunset” (“pôr-do-sol”, em inglês). Na última temporada, ela reapareceu na região, com uma novidade: a baleia trazia consigo um filhote albino.

O fato teria passado despercebido na época. Porém, quando Karina Groch, bióloga do Projeto Baleia Branca, analisava os registros da última temporada, ela percebeu que o animal avistado em 2017 era o mesmo que havia sido resgatado em 2003, segundo informações do G1.

Agora, os pesquisadores querem transformar o dia 31 de julho, data que marca o resgate do animal, no Dia Nacional da Baleia Franca. Se tudo der certo, a data irá integrar o calendário da instituição a partir do próximo ano.

Conheça as vencedoras do Prêmio de Fotografia de Drone do Ano

Mais de 4400 fotógrafos profissionais e amadores participaram do Prêmio de Fotografia de Drone do Ano deste ano. Este prêmio é dividido em seis categorias: Abstrato, Natureza, Pessoas, Esporte, Vida Selvagem e Urbano. A foto que venceu este ano é a de Florian Ledoux, que fotografou um urso polar se movendo entre o gelo, visto de cima. Clichê forte que também se concentra no tema da urgência da proteção desses habitats e animais.

Veja cada categoria:

Abstrato – Weather Snake por Ovi D. Pop

Natureza – Mada’in Saleh por Gabriel Scanu

Pessoas – Pilgrimage of Millions of People por Qinghua Shui

Esporte – Skating Shadows por Vincent Riemersma

Vida Selvagem – Blacktip Shark por Adam Barker

Urbano – Assisi Over the Clouds por Francesco Cattuto

Foto do ano – Above The Polar Bear por Florian Ledoux

Outras belas fotos que concorriam ao prêmio:

Foto do ano (destaque): Above The Polar Bear por Florian Ledoux/fonte:via

Estes lêmures esfregam piolhos-de-cobra tóxicos nos traseiros

Em 2016, o lêmure de frente vermelha (Eulemur rufifrons) foi filmado pela primeira vez esfregando diplópodes tóxicos nos genitais e ânus. A especialista em primatas Louise Peckre, pesquisadora do Instituto Leibniz de Pesquisas Primatas (Alemanha), foi a responsável pela descoberta quando visitava a região central de Madagascar.

Isso aconteceu logo depois que chuvas pesadas atingiram a área, e Peckre e seus colegas notaram que vários lêmures estavam recolhendo os artrópodes do chão da floresta. Os diplópodes saíam do solo por causa da mudança de tempo, e os lêmures não perderam a chance de esfregá-los no traseiro.

Os pesquisadores observaram fascinados enquanto os lêmures esfregavam os artrópodes nos rabos, região anal e genial, e depois começaram a mastigar os piolhos-de-cobra. Apenas de vez em quando eles engoliam o animal.

Esfregar coisas no corpo não é um ato incomum entre primatas. Você mesmo já deve ter passado algumas coisas no seu corpo hoje – desodorante, protetor solar, talvez repelente. Pois os lêmures estavam fazendo exatamente isso. Passando repelente.

Esses diplópodes pertencem ao gênero Sechellptus, que tende a secretar fluidos tóxicos como um mecanismo de defesa. Neste caso, os fluidos são compostos de benzoquinona, que é um composto químico parente do quinino, um repelente de mosquitos natural. Tudo indica que ao mastigar o artrópode e passar a substância tóxica no corpo, os lêmures estão usando a benzoquinona para se livrar de parasitas que são frequentemente encontrados no sistema digestivo.

Os pesquisadores apontam para o grupo de parasitas Oxyuridae, que é conhecido por viver perto do ânus. Os pobres lêmures que estão sujeitos a esta infestação específica podem ter coceiras bem desagradáveis.

“Durante as observações em que a pelagem foi esfregada, notamos a presença de áreas carecas na parte baixa das costas. Essas áreas peladas indicam a presença de infecções do Oxyuridae na população”, diz Peckre.

O próximo passo dos pesquisadores é comparar este comportamento com o de outros primatas, como macaco-aranha, que também usa os diplópodes de forma semelhante. Se esta hipótese se mostrar correta, os cientistas esperam encontrar outros exemplos deste comportamento entre outros primatas que estão expostos aos parasitas digestivos.

Este estudo foi publicado na revista Primates. fonte:via[Science Alert]

Ilustrador recheia caderno com impressionantes desenhos de personagens famosos

O ilustrador e designer gráfico Mike Koubou decidiu compartilhar com o mundo uma linda coleção de desenhos a lápis que fez de alguns personagens famosos de filmes, esculturas e crânios em seu caderno de esboços. Confira o trabalho abaixo:


Arte: Mike Koubou/fonte:via

Chef Ben Churchill faz sobremesas cheias de ilusão que vão bugar sua mente

Ben Churchill é um confeiteiro cujas impressionantes criações culinárias fazem dele um especialista em ilusão. Suas sobremesas saltam aos olhos e, mesmo que pareçam à primeira vista repugnantes, ainda merecem um olhar mais atento. Uma pimenta para sobremesa? Ou uma laranja mofada? Por que não terminar sua refeição com uma esponja de lavar louça? Ou mesmo… um cinzeiro? Na realidade, é um doce suculento inventado pela ilusão de ótica: sejam brownies, pannacotta ou bolos de chocolate, tudo isso é imperativo!

E se apesar de tudo, você ainda não está convencido da frescura dos produtos que estão diante de seus olhos, o chef reuniu suas criações em seu livro “Food Illusions”. Ainda está com fome? Então segure a onda porque é apenas o primeiro volume!


Fotos: chefbenchurchill/fonte:via

História comprova que cerveja foi criada e desenvolvida por mulheres

História é poder. Por isso, quase sempre ela é contada do ponto de vista de quem justamente possui o poder – um seleto grupo formado quase que absolutamente por homens. Não é por acaso, assim, que simplesmente desconhecemos que grandes invenções que giraram a roda da história foram feitas por mulheres. Do primeiro programa de computador à tecnologia Wi-Fi, passando pela geladeira até o bote salva-vidas, foram criações feitas por mulheres que superaram as limitações impostas pelas culturas e até leis vigentes e se imortalizaram com invenções verdadeiramente revolucionárias – e muitas permanecem pouquíssimo reconhecidas.

Mas e se um dos maiores símbolos do que entendemos como “masculinidade”, esse conceito fundado e afundado em tantos clichês, tiver sido criado, desenvolvido e aprimorado por mulheres? Na rasa e boçal definição do que seria o universo dito masculino, certamente a cerveja ocupa um lugar simbólico de destaque no repertório daquilo que expressaria o que é “ser um homem”. Corroborando justamente a fragilidade dessa masculinidade suposta, a historiadora e sommelier de cerveja inglesa Jane Peyton – autora de três livros sobre a bebida e um sobre pubs ingleses – revela que até menos de dois séculos atrás, cerveja era, em todos os sentidos, coisa de mulher.

A conclusão veio após anos de extensa pesquisa para o desenvolvimento de um novo livro. Segundo Peyton, de modo geral e nas regiões mais diversas do mundo a cerveja era vista desde sua criação como um alimento – uma parte do cardápio que, logo, era também parte das ditas “tarefas domésticas” reservadas às mulheres. Mais do que uma criação feminina, a feitura da cerveja foi por séculos tarefa exclusiva das mulheres. O que inicialmente era visto como um afazer da casa, rapidamente se tornou uma especialidade muito apreciada – e em pouco tempo a cerveja passou a ser uma bebida feita por mulheres também pelo fato delas conhecerem os segredos das diversas receitas e basicamente fabricarem uma bebida melhor.

A pesquisa de Peyton remete há cerca de 10 mil anos, e confirma que se temos por todo o mundo tantas refinadas variações de sabores da bebida, isso se deve ao trabalho feminino. Na Mesopotâmia e na Suméria há pelo menos 7 mil anos eram justamente esses conhecimentos especiais e exclusivos que faziam da cerveja uma invenção exclusivamente das mulheres, que também tinham o monopólio da administração das tabernas – sim, os bares da época eram lugar “de mulher”.

Não é por acaso que, de modo geral, nas sociedades antigas a cerveja era considerada um presente de uma deusa – e nunca de um deus masculino.

Duas representações (acima, estátua milenar; abaixo, vitral moderno) de Ninkasi, deusa suméria da Cerveja

A cerveja dos vikings era feita por mulheres em torno do século 8 antes de Cristo, e da mesma forma em todas as sociedades do norte da Europa. Na Inglaterra as mulheres faziam a bebida em casa, e a vendiam como um meio de incrementar o orçamento familiar – eram conhecidas como “Alewifes”, ou esposas-Ale.

E foi a Inglaterra um dos mais importantes lugares para a popularização total da bebida,  através do hábito de tomar cerveja em todas as refeições – inclusive no café – praticado pela rainha Elizabeth I, uma amante inveterada da bebida. “Uma refeição perfeita é feita com pão, queijo e cerveja”, costumava dizer a soberana.

Apesar do apreço da Rainha pela bebida, e da identificação total da cerveja com as mulheres que prevalecia de forma inconteste no imaginário cultural de grande parte do mundo no século XV, estima-se que foi nessa época que o desenvolvimento e a fabricação da bebida começou a ser retirado das mãos e do universo feminino e aos poucos a ser ressignificado como um elemento masculino.

No contexto da crise da Idade Média e do início do capitalismo, os movimentos considerados “hereges” pelo estado e pela igreja eram ferozmente perseguidos – e isso incluía toda e qualquer tipo de irmandade ou organização feminina. Foi assim que teve início o que ficou conhecido como período de Caça às Bruxas, e foi também sob esse pretexto que a feitura da cerveja foi aos poucos sendo retirada de mãos femininas – e, segundo Peyton, boa parte do imaginário mais comum que define a figura de uma bruxa nasce do contexto da fabricação de cervejas. Sim, muitas bruxas eram, na verdade, mulheres cervejeiras.

A pesquisa de Peyton explica: para fabricar a bebida, era necessário um grande caldeirão. Quando a bebida começava a fermentar, o líquido no caldeirão passava a borbulhar e se mover diante de nossos olhos – feito fosse uma poção mágica (o que não deixa de ser, se pensarmos no efeito que uma grande quantidade de cerveja pode provocar). Para mexer o caldeirão, um pedaço grande de madeira com um ramo na ponta era utilizado – muito similar a uma vassoura. Por fim, por trabalharem com cereais como o malte, tratava-se de um contexto propício para o surgimento de ratos – e nada melhor para espantar ratos do que um gato. Caldeirão, poção mágica, vassoura e gato: todos os elementos de uma bruxa estavam lá.

Muitas das mulheres acusadas de bruxarias e mortas em milhares nas fogueiras da perseguição eram, na verdade, as melhores fabricantes de cerveja da Idade Média. A vassoura era pendurada na porta das casas, para indicar que ali se vendia cerveja.

A perseguição às mulheres não tinha, no entanto, um verdadeiro propósito religioso, e sim o objetivo de conter as potenciais revoltas populares e garantir o controle do poder das elites ameaçado pelos levantes da época. Além disso, como o apreço pela bebida já era disseminado e popular, ao invés de condenar também a cerveja como fruto de bruxaria, condenavam-se somente suas fabricantes – as mulheres – enquanto os homens iam aos poucos aprendendo a desenvolver a bebida, passando a lucrar o dinheiro que antes era exclusivo de mulheres. Tal processo de apropriação se deu desde o século XV até meados do século XVIII.

Quando começou a se dar a Revolução Industrial, as novas tecnologias e métodos de fabricação diminuíram de modo geral a necessidade da participação feminina na feitura da cerveja. A fabricação em larga escala passou a ser possível, em uma época em que o trabalho fora de casa era quase que exclusivamente masculino. Como se não bastasse, mulheres não podiam ser donas de propriedades nem pedir empréstimo em bancos – o que as impedia de, por exemplo, abrir sua própria fábrica de cerveja. No final do século XVIII, não só a feitura havia se tornado um trabalho totalmente masculino, como os bares e o próprio imaginário ao redor da cerveja.

Mas o fato fundamental apresentado pela pesquisa de Peyton é que o DNA da cerveja é feminino. Diante do predominante filtro de preconceito e sexismo que pauta o olhar sobre os contextos sociais e comportamentais da humanidade, a afirmação da pesquisa de Peyton – uma das mais respeitas historiadoras de cerveja do mundo – ganha especial importância, revelando o quanto tais preconceitos são baseados na mais pura, direta e literal ignorância – utilizada de forma funcional, em nome da manutenção de poderes e riquezas dos poderosos de sempre.

Dá próxima vez, portanto, que se supor que uma mulher prefere beber vinho somente por ser mulher, ou que se partir do princípio que mulheres não devem beber cerveja por se tratar de uma bebida “masculina”, vale lembrar de toda a trajetória essencialmente feminina que levou a a bebida a se tornar preferencial em todo o mundo. Se hoje tomamos cerveja como forma de lazer e prazer, é graças ao trabalho das mulheres – das bruxas que nada fizeram além de nos apresentar uma verdadeira invenção divina; o presente de uma deusa.

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