A incrível jornada do jovem que foi pedalando da Bahia a Nova York nos anos 1920

Para a maioria de nós o anseio por liberdade que nos toma durante a adolescência possui sentido simbólico, sobre o desejo de superar os limites da casa e dos cuidados dos pais, e ganhar vida própria. Para o baiano Rubens Pinheiro, porém, a liberdade que desejava era literalmente do tamanho do mundo – e há quase 100 anos, na segunda metade dos anos 1920, ele se colocou capaz de superar qualquer limite para atravessar fronteiras. Primeiro, aos 16 anos, Rubens foi a pé de Salvador até o Rio de Janeiro, mas em março de 1927, alguns meses antes de completar 18 anos, ele decidiu partir para sua maior aventura: na manhã do dia 15 ele subiu em sua bicicleta alemã Opel, para ir pedalando da capital baiana até Nova York. A história foi contada nesta semana pela BBC Brasil.

Rubens, de uniforme com sua bike, no meio do trajeto

Sua partida foi gloriosa, da porta do jornal Diário de Notícias, com direito a fogos, imprensa, curiosos e mais de 100 ciclistas lhe acompanhando simbolicamente nas primeiras pedaladas. O resto do imenso trajeto seria percorrido majoritariamente sozinho – e por muito tempo: de 1927 a 1929, Rubens Pinheiro viria a atravessar 11 países ao longo dos 18 mil quilômetros até enfim pedalar tendo a Estátua da Liberdade ao horizonte, no dia 01 de abril de 1929.

A foto oficial do momento de sua chegada em Nova York

Antes de chegar em Nova York, porém, o brasileiro enfrentou diversos percalços – da imensidão do Rio Amazonas, passando pela noite que atravessou em cima de uma árvore no Alto do Rio Negro para fugir de uma onça, até a prisão temporária a que foi submetido por fuzileiros navais dos EUA na Nicarágua, que o confundiram com um guerrilheiro – tudo devidamente registrado em seu diário de viagem.

O diário de viagem de Rubens

Na volta ao Brasil, depois de passar alguns meses trabalhando em Nova York, os reconhecimentos foram tímidos – alguns jornais publicaram sua aventura, poucas festas comemoram a volta, e o maior deles só viria em 1979, em uma missa na Igreja do Bonfim, em celebração aos 50 anos de seu feito.

Rubens, já em uma cadeira de rodas, na missa pelos 50 anos de sua viagem

Rubens viria a falecer em 1981, aos 71 anos, e é um de seus netos, que traz o mesmo nome do avô e também é ciclista em provas de resistência, quem melhor homenageia o velho Rubens e sua incrível missão comprida – e cumprida: “Meu avô significa tudo, ele pra mim é a representação de que nada é impossível como atleta”, diz o jovem Rubens Pinheiro, com precisão e emoção, diante de um de tantos heróis brasileiros esquecidos no tempo de um país sem memória.

Um dos poucos jornais que publicou sua história

© fotos: arquivo pessoal/fonte:via

Papagaio ‘preso’ após avisar chegada da Polícia é transferido para zoobotânico

Esse é mais um daqueles casos em que se lê a chamada e se presume que só pode ter acontecido no Brasil. Mas, apesar de parecer cômico, há muito de trágico em retirar um animal de sua vida normal para apreendê-lo.

O papagaio apreendido pela PM em uma casa que funcionaria como ponto de drogas na Vila Irmã Dulce, Zona Sul de Teresina (PI), foi encaminhado para o Zoobotânico da cidade. Segundo os policiais que atenderam a ocorrência do caso na segunda-feira (22), o pássaro foi responsável por avisar os tutores sobre a chegada da PM, gritando: “Mamãe, polícia!”. Desde então, o animal estava no Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA).

Recebemos esse animal na Central de Flagrantes depois dele ter sido apreendido em uma ocorrência de tráfico de drogas. É muito comum que esse tipo de criminosos tenha esse tipo de animal, que é um crime ambiental”, explicou ao G1 o capitão Josué, do BPA.

Biólogos do Zoobotânico vão analisar se o animal tem condições de retornar à natureza

O papagaio pertencia a uma mulher conhecida como “Índia”, presa outras duas vezes por tráfico de drogas. Desta vez, no entanto, a PM afirma que não estava diretamente envolvida com a prática ilícita e por isso não foi presa. Um homem de 30 anos, identificado como Edvan, supostamente marido dela, foi preso no local, onde os policiais encontraram porções de crack. Uma adolescente de 16 anos, apontada como filha do casal, foi apreendida com maconha escondida em suas roupas íntimas. Ambos foram conduzidos para a Central de Flagrantes.

A jovem foi liberada após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Ao fim dos procedimentos legais, o papagaio foi encaminhado para o BPA.

Segundo o capitão Josué, a expectativa é que o animal, agora “desempregado”, seja analisado para verificar se possui condições de voltar à natureza.

Foto: Divulgação/ Polícia Militar Ambiental/fonte:via

Drone encontra flor que cientistas acreditavam estar extinta

Drones não foram criados apenas para ficarmos babando nas fotos aéreas que esses aparelhinhos são capazes de registrar. Eles também podem auxiliar no combate à caça ilegal, plantar árvores ou mesmo encontrar espécies de plantas que pareciam extintas.

O último caso aconteceu recentemente, quando três exemplares da flor Hibiscadelphus woodii foram encontrado em uma área remota do vale de Kauai Kalalau. A planta era considerada extinta desde 2011, mas sua (re)descoberta foi anunciada no dia 16 de abril pelo National Tropical Botanical Garden (NTBG).

Hibiscadelphus woodii encontrada no Havaí

Hibiscadelphus woodii. Foto: Kenneth R. Wood

Vista pela primeira vez pelos botânicos em 1991, a flor, que é exclusiva das ilhas havaianas, foi catalogada em 1995.  A Hibiscadelphus woodii cresce como um arbusto e possui flores amarelas ricas em néctar. Pesquisadores acreditam que elas sejam polinizadas por aves nativas do Havaí, visto que esforços realizados para propagar a espécie utilizando diversos métodos falharam.

Foto: Reprodução Youtube/NTBGSavePlants

A descoberta anima os cientistas, que esperam que outras espécies consideradas extintas possam ainda ser encontradas em áreas remotas do planeta. “Drones estão desbloqueando um tesouro inexplorado em penhascos, e, mesmo que essa seja a primeira descoberta do tipo, tenho certeza de que não será a última”, salienta o coordenador da NTBG e especialista em drones, Ben Nyberg.

Foto em destaque: Reprodução Youtube/NTBGSavePlants/fonte:via

As pessoas estão ensacando árvores para impedir passarinhos de fazer ninhos


Parece mentira, mas não é. Moradores de uma cidade inglesa colocaram rede nas árvores para impedir que pássaros construam ninhos. O cenário impressiona, pois diversas árvores da paisagem de Surrey foram completamente envelopadas.

A situação ganhou repercussão depois de postagens enfurecidas de moradores indignados com tais atitudes. Além de prejudicar e matar os pássaros, o ato impede que insetos fundamentais para o fluxo do ecossistema sobrevivam.  

Condenável, o movimento é crime previsto em tratado assinado em 1981 pela proteção da vida selvagem do interior inglês. “Não são apenas os pássaros, insetos ficam presos nessas redes. É doentio. Nossa cultura atingiu níveis inaceitáveis”, escreveu no Twitter Rebecca Clifford.

O cenário impressiona é prejudicial aos pássaros e insetos

A RSPB, sociedade criada para a proteção de pássaros, se manifestou por meio de um porta-voz. “Esse é outro exemplo de pessoas que tentam suprimir a natureza em pequenos espaços”.

Ele ressalta ainda que prática é permitida apenas em casos específicos, como o de poda, e que levem em consideração o período de desova dos pássaros. “Os pássaros sempre encontram uma brecha e podem acabar presos e morrer”, acrescentou.

Fotos: Terry Harris/Bav Media/fonte:via

Desafio do lixo é o melhor desafio que a internet já viu e você deveria aderir




Depois do bizarro “Desafio do Preservativo”, a internet se reúne para fins mais produtivos: limpar o mundo. Trata-se do “Desafio do Lixo“, uma brincadeira sustentável que tomou conta das redes sociais.

A ideia surgiu quando um usuário do reddit publicou fotos de uma área repleta de lixo, com uma pessoa mostrando o antes e depois do local. A mensagem ia mais longe e desafiava os outros a fazer o mesmo: “Aqui vai um novo desafio para vocês, adolescentes entediados. Tire uma foto de uma área que precisa de um pouco de limpeza ou manutenção, então tire uma foto depois que você tiver feito algo sobre isso e poste aqui“.

Desafio dado na internet é desafio aceito – e, dessa vez, por uma boa causa.

Após a publicação, os usuários da plataforma decidiram em conjunto utilizar a #trashtag para postar imagens de áreas que passaram por suas intervenções. Só no Instagram, mais de 24 mil pessoas já utilizaram a hashtag, mostrando o resultado do desafio.

No reddit, um fórum com mais de 1,5 mil inscritos foi criado para compartilhar os resultados e mostrar que, se cada um fizer a sua parte, podemos juntos caminhar rumo a um mundo mais limpo. Vem ver!

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Antes e depois de limpeza de lixo no Nepal

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Créditos sob as imagens/fonte:via

Série de fotos mostra os penteados únicos e criativos em Ruanda dos anos 20


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Estilo é algo que atravessa gerações, fronteiras, diferenças culturais e sociais, seja onde for, como for, quando for. Pode ser em Nova Iorque nos anos 1960, em Paris no início do século, no Rio de Janeiro nos anos 1950, na Nigéria nos anos 1970, ou em qualquer outra época ou lugar, o estilo se afirma e sobrevive ao teste do tempo – basta ver os penteados tradicionais utilizados desde os anos 1920 em Ruanda.

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Conhecidos como Amasunzu, os penteados não são somente uma afirmação estética de um povo; eles representam diferentes papeis e estágios na vida dos homens e mulheres que os usam – até hoje.

Para um guerreiro de Ruanda, por exemplo, os penteados significam força e bravura. Claro que, assim como há estilo em toda época e lugar, há também sexismos, e o papel dos penteados na cabeça das mulheres de então significavam seu status conjugal e virgindade.

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De qualquer forma, em se tratando de seu apelo estético, elegância, extravagância, força e beleza se combinam em um estranho porém único resultado – belo e, ao mesmo tempo, intrigante, como o estilo costuma ser.

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Abaixo um vídeo exemplificativo:

© fotos: reprodução/fonte:via

Punks, ska e hip hop: fotógrafa registrou o melhor do underground nos anos 1970 e 1980

O que hoje é registro da história à época eram simplesmente os personagens da vida e do trabalho da fotógrafa londrina Janette Beckman – que começou sua carreira no exato momento e na exata cidade do surgimento do movimento punk: Londres, na segunda metade dos anos 1970. Trabalhando para as revistas The Face e Melody Maker, Beckman registrou, entre artistas e público, a explosão da cena punk e as cenas mod e ska na capital inglesa e em Nova Iorque, para onde se mudou no início dos anos 1980.

Punks no velório de Sid Vicious em 1979

Punks em Londres, em 1978

Mais de quarenta anos depois, com uma vasta coleção de imagens icônicas imortalizada no museu Smithsonian e diversos outros museus do mundo – e com fotos históricas de bandas como Sex Pistols, The Clash, Blondie, Boy George além de três capas do Police no currículo – Beckman, que se reconhece como uma “fotógrafa documentarista”, aponta a naturalidade do seu trabalho: “Eles não eram lendas quando eu os fotografei”, ela diz. Em Nova Iorque, durante os anos 1980, ela se aproximou da cena Hip-hop, fotografando artistas como Run DMC, Grandmaster Flash, Salt’n’Pepa, e muitos outros.

The Beat, 1980

Tenpole Tudor

Sex Pistols

Além das capas de discos, suas fotos já estamparam as principais revistas do mundo, como Esquire, Rolling Stone, Glamour, Vogue, Newsweek, Mojo e muitas outras.

Teds em 1980

Garotas do Ska, em 1979

O impacto, no entanto, e a proximidade com que registrou as mais interessantes figuras em um dos mais importantes momentos culturais do século XX são, no entanto, são grande legado – a força do movimento punk e a da estética mod e ska saltando das imagens como documentos de uma época que até hoje molda nosso inconsciente estético, ético e musical.

Dançarinos de rock em 1980

The Islington Twins, 1979

Mods em uma lambreta, em 1976

Um pequeno mod, em 1981

Joe Strummer, do Clash

Debbie Harry

Julien Temple, 1982

Dexys Midnight Runners

© fotos: Janette Beckman fonte:via