Descoberta de 10 mil anos revela os rituais mortuários dos primeiros brasileiros

Entender como as populações ancestrais lidavam com a morte é também uma maneira de entender a cultura e a própria vida dos primeiros brasileiros, que habitavam nossa região num período entre 8.000 e 10.500 anos atrás. Numa caverna em Matozinhos, cidade de Minas Gerais, num local conhecido como Lapa do Santo, o arqueólogo André Strauss lidera uma série de expedições que descobriram verdadeiros enigmas em restos mortais: falanges de dedos cortadas de forma regular, como peças de lego, ossos quebrados, pinturas feitas com pigmento ocre, restos queimados, remontagem de ossos de partes de esqueletos diferentes ou mesmo de pessoas diferentes.

Os pesquisadores sugerem se tratar de hábitos simbólicos e complexos, sobre possíveis rituais realizados por tais populações com seus mortos. Foi na mesma região, de Lagoa Santa, em Minas Gerais, que o crânio de Luzia, a mais antiga brasileira que se tem notícia, foi encontrado.

Mais de 40 sepultamentos já foram descobertos, e os rituais mortuários na região foram divididos em 3 fases, de acordo com a idade de seus mortos: a primeira, mais simples, em que os mortos foram simplesmente enterrados flexionados; a segunda, de intensa manipulação dos restos, com queimas, amputações, separações ósseas, quebras e encaixes; e a terceira, com ossos desarticulados e quebras propositais.

Acima, crânio manipulado; abaixo, folha impressa em pedra

Na fase 2, crânios foram utilizados como receptáculos para restos de queima e dentes arrancados. A complexidade dos rituais contrasta com a simplicidade dos instrumentos encontrados, e a mistura de ossos de criança com ossos adultos pode indicar, para os pesquisadores, uma demarcação ritualística do ciclo da vida humana – da juventude à velhice. Há ainda muita pesquisa pela frente, e o apontamento da importância de tais investimentos para descobrirmos nossa ancestralidade, e sabermos da onde viemos, para assim, sabermos mais sobre nós e, dessa forma, para onde vamos.

Lâmina de pedra

© fotos: Maurício de Paiva/fonte:via

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Escritor indígena recebe prêmio de literatura infantojuvenil

Desde 2008, a lei exige que as escolas brasileiras incluam em seu currículo a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. O cumprimento da norma, no entanto, ainda é um entrave, visto que há poucos professores realmente preparados para abordar o assunto.

Em muitos casos, os docentes apenas repetem conteúdos sobre os quais já ouviram, se tornando intermediários de um discurso que, por vezes, é repleto de estereótipos. Não seria interessante se, ao invés disso, crianças e adolescentes pudessem estudar sobre a cultura indígena através de livros escritos por pessoas destas etnias?

Daniel Munduruku é um destes autores que despontam na literatura infantojuvenil. Nascido em Belém, Pará, na etnia Munduruku, ele acaba de receber o prêmio Vida e Obra, na categoria Letras: Literatura Infantojuvenil, da Fundação Bunge.

A premiação existe desde 1955 e já consagrou nomes como Jorge Amado e Hilda Hist. Daniel é o mais recente agraciado com o prêmio, no valor de R$ 150 mil. Este não é o único título acumulado por ele: formado em filosofia e com doutorado e pós-doutorado em educação, Daniel é autor de mais de 50 livros que retratam a cultura indígena, tendo recebido também os prêmios Jabuti, em 2017, e Tolerância.

Filho de faxineira, cearense que catava latinhas vai estudar em Harvard

Professor do Cariri trabalhou como catador e foi selecionado para lecionar numa das mais tradicionais universidades do mundo — Foto: Valéria Alves/TV Verdes Mares

Não faz muito tempo que o cearense Ciswal Santos, de Juazeiro do Norte, catava latinhas nas ruas para vender e usar o dinheiro para comprar apostilas e completar os estudos da faculdade. Ele se tornou professor de ciência da computação e agora vai para Harvard participar de um projeto para gerar energia solar a baixo custo.

Valdenora, a mãe de Ciswal, trabalhava como faxineira, e ele começou a trabalhar ainda na adolescência para ajudar a pagar as contas. Ele entrou na faculdade de Física logo aos 16 anos, mas o emprego em um mercado, que na época pagava R$20 por semana, não era o suficiente para pagar materiais como livros e apostilas.

Professor cearense é selecionado para dar aulas na universidade Harvard, nos Estados Unidos — Foto: Valéria Alves/TV Verdes Mares

O cearense contou ao G1 que passou a andar pelos bares de Juazeiro do Norte para catar as latinhas que ficavam jogadas pelo chão e vender para cooperativas de reciclagem. Ele chegou perto de desistir, mas recebeu apoio do dono de um dos bares em que ele recolhia as latas.

Me senti um nada e chorei. Contei a ele o motivo, ele colocou a mão no meu ombro e disse que eu não precisava me envergonhar e que não era mais para ir lá tão tarde, e sim usar o tempo para estudar mais, porque ele guardaria as latinhas para eu pegar pela manhã“, relata.

Harvard

Ciswal um equipamento capaz de reduzir o consumo de energia elétrica de casas de 4 pessoas em até 70%. Hoje, o aparelho é orçado em R$2,2 mil, mas ele pretende otimizar o projeto para que ele fique ainda mais barato: “Já tive contato com pessoas que desenvolvem tecnologia asiática – que está bem a nossa frente – e podemos fazer uso dessa tecnologia para reduzir o custo do equipamento para R$ 1,2 mil, mas o objetivo final é baratear para um salário mínimo”, disse ao G1.

O projeto fez com que Ciswal fosse selecionado para receber gratuitamente aulas de professor da Universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo. Serão 18 meses de aulas on-line, que podem se estender por mais 18. Os novos conhecimentos devem ajudar o cearense a aprimorar sua criação.

Ao fim do período letivo com os professores de Harvard, Ciswal poderá correr atrás de recursos públicos ou privados para tirar o projeto do papel – o regulamento da Universidade não permite que isso seja feito em paralelo às aulas.

Ciswal escolheu o ensino à distância para continuar próximo de suas duas filhas. Ele acompanhará as aulas por videoconferência, das 23h às 2h no horário local, e vai viajar para Cambridge, nos EUA, a cada seis meses para fazer provas e outras avaliações.

(Foto: Alana Soares/Agência Miséria /fonte:via)

Plantio tradicional de quilombolas se torna patrimônio cultural do país

Saber valorizar nossa própria cultura e reconhecer o que temos de bom é essencial para a construção de uma nação mais justa e preocupada com sua história. Nesta semana já demos um passo importante, quando a literatura de cordel foi declarada Patrimônio Cultural do Brasil e, agora podemos comemorar mais uma vez, já que o sistema tradicional agrícola da região do Vale do Ribeira – São Paulo, foi reconhecido como como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As comunidades quilombolas são formadas predominantemente por negros, descendentes ou ex escravizados, que vivem em um sistema rural, dependem da terra para seu próprio sustento e valorizam muito a ancestralidade, tradições e práticas culturais próprias. Neste aspecto, reconhecer este sistema ancestral de agricultura é também valorizar pessoas que sempre habitaram nessas terras.

Estima-se que hoje existam cerca de 88 comunidades quilombolas na região do Vale do Ribeira, onde está os 7% que ainda restam da Mata Atlântica. Ivy Wies, assessora técnica do Instituto Socioambiental (ISA), afirma que isso dará segurança aos órgãos governamentais em relação à autorização ao plantio nessas terras, valorizando a alimentação saudável que este sistema oferece.

O Brasil é campeão mundial no consumo dos agrotóxicos, portanto declarar este tipo de agricultura patrimônio cultural do Brasil, é uma luz no fim do túnel, para que a gente volte a repensar a alimentação dos brasileiros, já que terra e diversidade é o que não faltam. O sistema de agricultura quilombola é baseado na permacultura, que não permite apenas uma alimentação balanceada e sustentável, como garante o sustento dessas pessoas e mantém o solo da região saudável, o que não acontece no sistema industrial.

Foto 1 e 3: Unsplash

Foto 2: reprodução Incra/fonte:via

A partir de agora o idioma Iorubá é patrimônio imaterial do Rio

O Rio de Janeiro deu um grande passo na afirmação da influência da cultura africana na constituição do Brasil. A partir de agora, o Iorubá foi oficializado como patrimônio imaterial.

O Projeto de Lei, aprovado pela Assembleia Legislativa (Alerj), reforça a importância da preservação da cultura africana como elemento fundamental para a luta contra discriminação racial.

No caso do Rio de Janeiro, isso se dá de forma ainda mais intensa. Segundo dados apresentados pelo IBGE, o estado é dono de uma das maiores concentrações de descendentes e praticantes de religiões negras, especialmente as com elementos das culturas Nagô e Iorubá.

Aliás, os terreiros de Candomblé atuam como verdadeiros guardiões destas expressões culturais. Dentro dos barracões, é muito comum as pessoas se comunicarem utilizando palavras da língua do continente africano. No Candomblé ketu e efon, licença vira àgò e comida se transforma de ajeun e por aí vai.

Daí o significado de manter viva a memória ancestral, especialmente se tratando de um país como o Brasil, fundado por meio da escravidão e que até os dias de hoje insiste em não se reconhecer como uma nação negra da diáspora africana. Ou seja, a eleição do Iorubá como patrimônio imaterial atua em consonância com as ações afirmativas, além de impedir o crescimento do preconceito religioso que persegue o Candomblé, por exemplo.

Historicamente, os iorubás habitavam o reino de Ketu (atual Benim) e o Império de Oyo, na África Ocidental. Até meados de 1815, eles foram trazidos ao Brasil como escravizados, durante o que ficou conhecido como Ciclo da Costa da Mina.

No Brasil, a cultura está presente em todo o território nacional, mas pode ser percebida com mais intensidade na Bahia, sobretudo na capital Salvador. Estima-se que existam 45 milhões de iorubás no mundo, sendo que 40 milhões deles vivem na Nigéria.

Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: João Ramos/Bahiatursa /fonte via

Artista brasileira ‘conserta’ cadeiras com acrílico e cria verdadeiras obras de arte

Com a enxurrada de informações e novidades que recebemos todos os dias, realidade que fica mais evidente com as redes sociais, inovar tornou-se uma tarefa muito mais complexa do que você imagina. O grande desafio dos artistas de hoje é criar algo inédito e dar novo significado às coisas, o que a artista visual Tatiane Freitas faz com maestria em sua série My Old New Chair (Minha Velha Cadeira Nova).

A brasileira – baseada em São Paulo, possui formação em Moda, pela tradicional Faculdade Santa Marcelina, onde desde o início de seus estudos prezou pelo conforto, acima de tudo. Sua série, que ainda não foi totalmente finalizada, trata-se de reparar móveis antigos, porém com um elemento novo: o acrílico, trazendo a união do velho com o novo.

Com o objetivo de criar peças que ‘conversarão’ com diferentes gerações, suportando a passagem do tempo, suas peças são uma grande metáfora daquela luta constante entre passado e futuro, memória e transformação.

Fotos: Tatiane Freitas/fonte:via

O brasileiro que vai inaugurar a megatrilha de 3 mil Km de mata que liga o Rio ao Rio Grande do Sul

Cruzar milhares de quilômetros correndo entre a Mata Atlântica, atravessando mais de 70 municípios, é uma aventura e tanto, né? Esse é um dos objetivos de Fabio Seixas para o início de 2019.

Fabio, que é empresário e fundador de O Panda Criativo, será o responsável por “inaugurar” a megatrilha batizada de Caminho da Mata Atlântica.

Apaixonado por esportes, com foco recente na corrida, Fabio está fazendo um treinamento especial enquanto voluntários ligados à WWF, idealizadora da trilha, vão sinalizando e preparando o caminho para ele e os demais aventureiros que poderão curtir a Mata Atlântica de uma maneira totalmente inédita.

O desafio está previsto para durar três meses, passando por cinco estados diferentes (RJ, SP, PR, SC e RS). Fabio e os demais envolvidos estão em busca de patrocinadores e recursos para tocar o projeto, que será registrado e deve render material para cinema e televisão.

De acordo com Fabio, a empreitada tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de proteger a floresta: “A Mata Atlântica é um dos Biomas mais ricos em biodiversidade do mundo e também o segundo mais ameaçado de extinção. Desbravar a Mata Atlântica tem o objetivo de impactar toda sociedade de forma positiva, visando ações sustentáveis que tenham como foco a manutenção, conservação, proteção e ampliação do bioma, além de promover a importância das áreas protegidas para economia, saúde e lazer”, comentou.

Fotos: Divulgação/Caminho da Mata Atlântica/fonte:via