Filmagem sinistra mostra o maior teste nuclear subterrâneo da história

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Impressionantes 5 megatons, com milhares de vezes mais poder destrutivo que as bombas que explodiram sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945. Esse era o terrível potencial do chamado Cannikin, o maior teste nuclear subterrâneo oficialmente registrado pela história.

O teste aconteceu em Amchitka, uma pequena ilha que pertence ao Alaska, mas fica localizada no Oceano Pacífico, bem longe da costa. As explosões subterrâneas aconteceram em 6 de novembro de 1971, durante a Guerra Fria, e foram registradas em vídeo – e uma parte das filmagens pode ser vista no Youtube. As imagens mostram a terra e as construções sobre a ilha se movendo de maneira impressionante.

Foram cinco anos de preparos para o Cannikin, que envolveram polêmicas sobre a segurança do teste, com temores a respeito da formação de terremotos ou tsunamis. James R. Schlesinger, um dos responsáveis pelo programa nuclear norte-americano, levou a esposa e as duas filhas para a ilha para demonstrar que estava certo sobre a segurança da operação.

A detonação aconteceu mais de uma milha abaixo no nível do mar – algo em torno de 1,6 km sob a terra. Além de imagens impressionantes e avanços tecnológicos para o programa militar dos Estados Unidos, o teste também deixou outro legado: o Greenpeace.

A semente do que viria a ser a maior ONG focada na preservação ambiental do planeta foi germinada durante os protestos contra o Cannikin. Um comitê de opositores ao programa nuclear se formou no Canadá e nos EUA e, em um dos atos mais simbólicos, embarcou em um navio batizado Greenpeace com destino à ilha Amchitka para protestar.

Ainda que jamais tenham chegado até lá, sendo impedida de prosseguir pela Guarda Costeira dos EUA, as relações que se formaram durante as manifestações foram se fortalecendo e levaram à fundação da ONG, que passou por diversas transformações de 1971 até os dias de hoje.

Fotos via Wikimedia Commons/fonte:via

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Poderosa série de instalações mergulha na vida dos refugiados

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Já não é de hoje que o mundo vive uma grave crise humanitária, que tem forçado milhares de pessoas a se refugiarem em outros países. Se ser imigrante em condições normais já não é simples, imagina então como deve ser quando as pessoas são obrigadas a deixar casa e família, para fugir da guerra? É sobre isso que fala a série de instalações UNPACKED: Refugee Baggage, do artista e arquiteto, Mohamad Hafez, de origem síria.

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Baseado em New Haven – Connecticut, ele vem colecionando sucata e objetos encontrados aleatoriamente para constituir paisagens e construções do Oriente Médio. Com a ajuda de Ahmed Badr – refugiado iraquiano, o objetivo é trazer um questionamento ácido, sobre as tristezas e perdas destas pessoas e todas as dificuldades causadas pelas guerras.

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Para desenvolver sua série, Mohamad se inspirou em testemunhos em áudio de refugiados do Afeganistão, Congo, Síria, Sudão e Iraque. Uma arte que não é fácil, porém a intenção é exatamente esta, afinal, chega de guerras, não é mesmo?

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Fotos: Mohamad Hafez /fonte:via

O Diário de Myriam: relato de menina sobre guerra síria chega ao Brasil graças a mobilização infantil

Myriam Rawick tem 13 anos hoje. Entre os 6 e os 12, ela escreveu um diário sobre o que via e sentia sendo uma criança de Aleppo, na Síria, uma das cidades mais afetadas pelo confronto entre governo e opositores, parte de uma guerra civil que já dura mais de sete anos.

A ideia de registrar as vivências de Myriam partiu da mãe da garota, e ganharam a mentoria do jornalista Philippe Lobjois quando ela tinha 8 anos. Foi o francês quem ajudou a transformar os relatos em livro e voltou para seu país em busca de uma editora disposta a publica-lo.

Foi assim que nasceu o livro “O diário de Myriam“, elogiado internacionalmente e comparado até a “O Diário de Anne Frank”. E a obra ganhou um combustível extra para ser traduzida para o português, em lançamento recente da editora DarkSide.

Alunos de uma escola pública de Osasco (SP) ficaram sabendo sobre o livro durante uma aula de informática, ao acessar o site de conteúdo infantil Joca. Interessadas em poder ler as histórias de Myriam, elas enviaram dezenas de cartas à redação do portal pedindo pela tradução do livro.

Estudantes de outros colégios, públicos e particulares, também escreveram para o Joca. A equipe do jornal decidiu procurar editoras dispostas a publicar a obra, e descobriu que a DarkSide já estava interessada no livro de Myriam.

Algumas cartinhas até foram publicadas na edição brasileira do livro para registar para sempre a movimentação dos estudantes. “O Diário de Myriam” pode ser comprado online, pela Saraiva ou pela Amazon.

Fotos: reprodução/fonte:via

Filmes encontrados no lixo mostram a vida de oficiais poloneses prisioneiros dos nazistas

Era uma noite de inverno em 1999 e Olivier Rempfer, então com 19 anos, caminhava pela cidade onde vive, Cagnes-sur-Mer, no sudeste da França, depois de passar uma noite com amigos na cidade vizinha de Saint-Laurent-du-Var. Uma caixa de madeira em cima de um recipiente de lixo chamou sua atenção. Curioso, ele abriu a caixa e viu vários objetos cilíndricos embrulhados em papel.

Rempfer esperou até chegar em casa para desembrulhar os objetos e, quando ele o fez, encontrou antigos rolos de filme preto e branco de 35mm. Segurando as tiras de filme contra a luz, ele viu uniformes, quartéis, torres de vigia e homens em trajes no palco. Supondo que as fotos deviam ter sido tiradas durante as filmagens de um filme de guerra, e os homens neles para serem atores, Rempfer deixou a caixa de lado e tratou de esquecer da história.

Anos depois, seu pai, Alain Rempfer, encontrou a caixa. O velho Rempfer, um fotógrafo, também não tinha certeza do que os negativos do filme mostravam, mas em 2003, quando ele comprou um scanner de filme, resolveu dar uma olhada mais de perto nas cerca de 300 imagens. “Rapidamente percebi que eram fotos reais, históricas, tiradas durante a guerra em um campo de concentração”, disse. “O nome da marca ‘Voigtländer’ foi escrito na borda do filme. Esse nome não me era familiar em filmes, mas eu sabia que o Voigtländer era um fabricante alemão de câmeras”.

Rempfer procurou alguma pista sobre onde as fotos poderiam ter sido tiradas. Uma mostrava um caminhão com vários homens sentados dentro e, na parte de trás, era possível ler as palavras “PW CAMP MURNAU” em letras brancas, depois as letras “PL”. Uma pequena pesquisa mostrou que, de 1939 a 1945, a cidade alemã de Murnau era o local de uma prisão de guerra para oficiais poloneses.

Pai e filho estudaram as fotografias de perto e com fascínio. “Todos esses jovens olhavam diretamente para nós através da câmera, durante o tempo em que viviam no acampamento”, disse Alain. “E nós não sabemos seus nomes ou como era a vida diária deles, não sabemos nada sobre suas esperanças, seus sentimentos”. Foi uma experiência estranha, como se alguém tivesse desligado o som e os deixassem assistindo a um filme mudo.

O pai e o filho decidiram que um site seria a melhor maneira de mostrar as imagens ao mundo. Eles esperavam que as imagens atingissem qualquer um que pudesse estar interessado nelas, mas especialmente membros da família dos ex-prisioneiros de guerra que talvez estivessem procurando informações ou pudessem reconhecer alguém nas fotos.

Fotos: Arquivo/fonte:via

Morre fotógrafo David Douglas Duncan, conhecido por clicar Picasso

Ele esteve presente com as pessoas e nos eventos mais importantes do século 20. Sempre acompanhado de sua câmera fotográfica, David Douglas Duncan morreu aos 102 anos.

O artista nasceu nos Estados Unidos no distante ano de 1916. Ao longo de sua trajetória, Duncan se imortalizou pelos registros fotográficos durante a Guerra na Coreia, resultando no lançamento do livro This is War! (Isto é Guerra), em 1951.

Contudo o feito mais importante de sua trajetória profissional foram os cliques fotográficos da vida de ninguém menos do que Pablo Picasso. Amigo íntimo do pintor e esculturista espanhol, Duncan foi a única pessoa autorizada a documentar a vida e pinturas privadas de Picasso.

O norte-americano, que vivia próximo de Picasso em Castellaras, na França, esteve presente nos últimos 12 anos de vida de um dos maiores artistas da história. De acordo com informações da AFP, David Douglas Duncan faleceu em decorrência de complicações de uma pneumopatia e estava “cercado por seus familiares”.

 

Foto: foto 1: Reprodução/YouTube /foto 2: Reprodução/David Duncan/foto 3: Reprodução/David Duncan/foto 4: Reprodução/David Duncan/fonte:via

Pela primeira vez em 30 anos, governo sueco distribui cartilha de sobrevivência durante guerra

O medo de uma Terceira Guerra Mundial permanece assustando cidades europeias. Com as crescentes tensões entre países como os Estados Unidos, Coreia do Norte e Rússia e ameaças de ataques cibernéticos e terroristas, a Suécia acaba de iniciar um programa de orientação populacional sobre medidas para se proteger de um possível conflito.

Mais de 4 milhões de famílias foram alvo da campanha, que tem o intuito de passar orientações de sobrevivência como a importância de priorizar alimentos não perecíveis e que não precisem de água para serem preparados, como purê de batata, barras energéticas, sardinhas e macarrão.

A medida chama atenção por ser a primeira vez em que instruções desse tipo são dadas desde a década de 1980. Aliás, as versões originais foram distribuídas pelo governo durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria.

Esta não é a primeira vez em que a Europa alerta a população sobre os perigos da guerra. Em 2016 a Alemanha aconselhou os cidadãos a armazenarem comida e água em casos de emergência.

Fotos: Unsplash/fonte:via

Série fotográfica mostra como a guerra afeta a fisionomia dos combatentes

Foi trabalhando para a agência francesa de notícias AFP que a fotógrafa irlandesa Lalage Snow entrou em contato não só com a guerra no Afeganistão propriamente (a qual, durante cerca de 4 anos, Snow cobriu) como com os soldados britânicos em campo de batalha – as pessoas e faces por trás e à frente da guerra.

Assim nasceu o projeto We Are The Not Dead (Nós Somos Os Que Não Morreram, em tradução livre): do desejo de dar rosto aos soldados para que eles mostrem o que a guerra realmente é.

“Para mim, essa é a própria essência da fotografia: das voz às pessoas”, escreveu Snow. Assim, elas dividiu os ensaios em três retratos: um inicial, antes do retratado ou retratada irem para a guerra, um ao meio, durante sua presença no conflito, e um final, alguns meses após o retorno do campo de batalha.

No site de Snow é possível ver, junto com as fotos, uma fala direta do soldado em questão.

O trabalho foi concluído entre 2010 e 2011, e desde então recebeu muitos elogios mas também muitas críticas – acusando-a de fazer os soldados parecerem melhores durante a guerra, de manipular as imagens através da luz, de que o trabalho teria fundamentos de propaganda. Snow garante que sequer usou iluminação artificial, e que seu desejo era mesmo um só: revelar o lado humano e singular dos conflitos. “Eu quis ir além das estatísticas”, ela disse, “e mostrar quem são essas pessoas”.

© fotos: Lalage Snow/fonte:via