As melhores fotografias de natureza da ‘National Geographic’ em 2017

Poucos temas são tão fascinantes e oferecem tantas imagens espetaculares para o trabalho de um fotógrafo quanto a natureza. Há mais de 100 anos a revista National Geographic, entre reportagens e artigos sobre ciência, história, geografia, história e cultural, ilustra suas páginas com as mais espetaculares imagens de animais, paisagens e a natureza de modo geral. Natural, portanto, que anualmente a revista realize o Natural Geographic’s Nature Photographer of the Year Contest, um concurso de fotografias da natureza – e os vencedores de 2017 foram finalmente anunciados.

O prêmio é dividido em quatro categorias: vida selvagem, paisagens, aérea e debaixo d’água. O vencedor em cada categoria recebe um prêmio no valor de 2,5 mil dólares. A partir dessa seleção, um grande vencedor é escolhido dentro os quatro vencedores segmentados. A fotógrafo por trás da foto campeã ganha mais 7,5 mil dólares e ainda a imagem publicada na revista e no instagram da National Geographic.

A imagem selecionada como grande vencedora do concurso geral foi a foto intitulada “Cara a cara em um rio no Borneo”, de Jayaprakash Joghee Bojan, fotógrafo de Singapura. Nela, vemos um expressivo, temeroso e concentrado orangotango cruzando um rio. A foto foi tirada com o fotógrafo também imerso, em um momento de rara felicidade – e a história por trás da foto explica não só a beleza e força da imagem como a própria expressão do animal.


“Cara a cara em um rio no Borneo”, de Jayaprakash Joghee Bojan – 1º lugar (Vida Selvagem) – 1º lugar geral

“Enquanto procurava por orangotangos selvagens na Indonésia, vi essa incrível imagem de um imenso orangotango macho atravessando um rio, apesar do fato de haverem crocodilos na água. O cultivo de palmeiras acabou com seu habitat, e no limite, essas criaturas inteligentes aprendem a se adaptar – e essa é a prova, considerando que orangotangos odeiam água e nunca se aventuram em um rio”, afirmou o fotógrafo vencedor.

“Ás vezes você fica cego quando coisas assim acontecem”, ele disse. “Você está tão ligado que nem sabe o que está acontecendo. Não sente dor, não sente os mosquitos te picando, não sente frio, pois sua cabeça está completamente perdida no que está acontecendo à sua frente”.


“Amor de mãe”, de Alejandro Prieto – 2º lugar (Vida selvagem)


“Lutadores brancos”, de Bence Mate – 3º lugar (Vida selvagem)


“Manutenção macaca”, de Lance McMillan – Menção honrosa (Vida selvagem)


“Grande coruja cinza”, de Harry Collins – Escolha popular (Vida Selvagem)


“Anêmona florescente”, de Jim Obester – 1º lugar (Debaixo d’água)


“Na sua cara”, de Shane Gross – 2º lugar (Debaixo d’água)


“Peixe voador em movimento”, de Michael O’Neill – 3º lugar (Debaixo d’água)


“Predadores em uma bola de iscas”, de Jennifer O’Neil – Menção honrosa (Debaixo d’água)


“Deriva”, de Matthew Smith – Escolha popular (Debaixo d’água)


“Cachoeira de fogo”, de Karim Iliya – 1º lugar (Paisagem)


“Grande Canyon Dushanzi”, de Yuhan Liao – 2º lugar (Paisagem)


“Iluminado”, de Mike Olbinski – 3º lugar (Paisagem)


“Frio e nebuloso”, de Gheorghe Popa – Menção honrosa (Paisagem)


“Kalsoy”, de Wojciech Kruczynski – Escolha popular (Paisagem)


“Piscina de pedra”, de Todd Kennedy – 1º lugar (Aérea)


“Do alto”, de Takahiro Bessho – 2º lugar (Aérea)


“Pingo”, de Greg C. – 3º lugar (Aérea)


“Vida depois da vida”, de Agathe Bernard – Menção honrosa (Aérea)


“Canyon vagueado”, de David Swindler – Escolha popular (Aérea)

 

© fotos: National Geographic

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Estas são algumas das árvores mais incríveis do mundo

Todas as árvores nos beneficiam com a entrega de oxigênio. Mas algumas fazem muito mais do que isso: elas têm histórias para contar.As imagens incríveis contidas nessa matéria revelam algumas das árvores mais marcantes e impressionantes do mundo. Elas estão entras as maiores e mais velhas e, de uma forma ou de outra, se tornaram entidades nas culturas de comunidades que as cercam.

As fotos foram extraídas do livro Wise Trees, que reúne árvores históricas e culturalmente significativas, da Índia até a Califórnia.Os cliques foram feitos pelos fotógrafos Diane Cook e Len Jenshel, que passaram dois anos viajando o mundo em busca de capturar imagens de 59 árvores extraordinárias. 

Eles afirmam que desejavam que o livro realçasse a importância e potência do papel que as árvores historicamente desempenham em vista de preservar o equilíbrio natural do mundo.

 

Fotos: Diane Cook and Len Jenshel /fonte:via

Fotógrafo daltônico registra ‘outro mundo’ das pirâmides de terra na Áustria

O fotógrafo alemão Kilian Schoenberger esperava, desde sua infância, no início dos anos 1990, obter uma oportunidade ideal para registrar os mistérios e beleza diferenciada das pirâmides de terra, que formam uma floresta argilosa próximo do sul de Tirol, nos Alpes austríacos.

O profissional, que é daltônico, queria um dia nublado e com neblina para realçar as características únicas do que ele apelidou de ‘other world’ (outro mundo).

“Devido à erosão, as pedras são afastadas do chão e permanecem equilibradas como pequenos telhados“, explicou ele sobre as formas das pirâmides, que possuem pedras suspensas no topo.

Por uma dessas magias da natureza, as pirâmides crescem enquanto a chuva leva tudo em volta. No fim, a região transforma-se em algo um tanto sombrio, mas que vale o registro.

“Uma vez que a pirâmide de terra é muito frágil para carregar a rocha, o equilíbrio é perdido e a pedra cai. Sem essa proteção, o resto do pilar terrestre desaparece bastante rápido com as chuvas”, afirmou ele.

Kilian assumiu ter ficado “várias horas no local para capturar a mudança de tons e luz do amanhecer até o meio dia”.

fonte:via

Estas instalações feita com luminárias deixaram a natureza ainda mais linda

O artista norueguês  Rune Guneriussen se tornou conhecido em seu país por decorar áreas da natureza não habitadas sem prejudicar o funcionamento do ecossistema.

Agora, Guneriussen voltou a explorar as florestas da Noruega ao instalar uma série de luminárias no estilo vintage, imitando o posicionamento de cogumelos.

Em cada caso, a ideia do artista é mostrar o contraste entre a ação da natureza e a do homem, fortalecendo a ideia de equilíbrio entre a cultura humana e a selvagem.

Cada instalação demorou cerca de três semanas para ser instalada. Quando finalizada, Rune faz questão de registrá-la em foto para que fique eternizada.

“Muitas pessoas enxergam luminárias de forma estética apenas, sabe, bonitas, mágicas e tal… as luzes são também uma parte importante da cultura consumista que todos entendemos que deve mudar. A maior parte da energia consumida hoje nos é disponibilizada pela natureza, e energia tem uma óbvia relação com as lâmpadas”, disse Guneriussen em entrevista ao sirte My Modern Met.

Este é o maior organismo vivo já descoberto no planeta Terra

Está hospedado nas Montanhas Blue, na região leste do estado de Oregon, nos Estados Unidos, um dos maiores e mais velhos organismos ainda existentes no planeta Terra.

Trata-se de um fungo gigante com cerca de 2.400 anos de vida. O nome científico dele é Armillaria ostoyae, também conhecido como cogumelo de mel, e ocupa uma área de 2200 acres, algo próximo de 8,903,084 metros quadrados, segundo o site Oddity Central.

As medidas fazem dele o maior organismo já descoberto por aqui. Por incrível que pareça, o cogumelo começou a vida como um ser vivo que era imperceptível a olho nu e cresceu nos últimos dois milênios, embora alguns especialistas acreditem que ele possa ter até 8 mil anos de vida.

O fungo se espalhou pela floresta na região, matando toda a vegetação e insetos que apareciam em seu caminho, tornando-se não apenas o maior, mas o mais mortal dos organismos conhecidos.

Ele costuma adquirir sua forma mais impressionante durante o outono. No resto do ano, se transforma em algo semelhante a uma camada branca parecida com tinta de latex. É nessa condição aparentemente menos nociva, porém, que ele se torna mais poderoso.

O cogumelo de mel possui benefícios para a natureza, como separar nutrientes contidos no solo. Diferente dos outros cogumelos, porém, este funciona como um parasita nos troncos de árvores, sugando a vida delas através das décadas em que ali se hospeda.

“Os fungos crescem por toda a base da árvore e, então, matam todo o tecido. Pode demorar 20, 30, 50 anos até que elas morram. Quando acontece, não sobra qualquer nutriente na árvore”, explicou o patologista da U.S. Forest Service Greg Filip ao site Oregon Public Broadcasting.

O cogumelo de mel pode ser encontrado em outros lugares do mundo, como em Michigan, também nos Estados Unidos, e na Alemanha, mas nenhum é tão grande e antigo quanto este das Montanhas Blue.

Apesar de cientistas acharem a descoberta fascinante, ela tem preocupado a indústria local há muito tempo. O organismo tem causado destruição de árvores preciosas para os moradores desde que eles se entendem por gente. Nos anos 1970, pesquisadores desenvolveram uma maneira de preparar o solo com mecanismos eficientes de defesa contra o cogumelo.

Durante os 40 anos seguintes, a iniciativa deu sinais de que funcionaria, com árvores passadas por este método conseguindo sobreviver ao ataque do fungo. No entanto, a demanda intensa de trabalho, investimento financeiro e estrutura fizeram com que o projeto não fosse para frente.

Dan Omdal, junto do departamento de recursos naturais de Washington, está tentando uma abordagem diferente. Ele e sua equipe plantaram uma série de espécies de coníferas na região onde árvores foram mortas pelo Armillaria, com a esperança de que ao menos uma delas se mostre resistente ao fungo.

“Estamos buscando uma árvore que consiga crescer na presença dele. Hoje, é bobagem plantar as mesmas espécies em áreas de colheita que foram infestadas pela doença”, explicou Omdal. /fonte:via

Este campo na Noruega é tudo que os amantes do futebol sonharam

O futebol continua sendo o esporte mais praticado do mundo, com fãs e jogadores encontrados nos quatro cantos do planeta. Não é diferente em Henningsvær, uma pequena vila de pescadores da Noruega, onde fica um dos campos mais legais já vistos.

Henningsvær conta com apenas 0,3 km² de área, e em 2013 a população oficial era de 444 pessoas. Mesmo assim o campo de futebol, chamado Henningsvær Idrettslag Stadion, segue firme, forte e bem cuidado, recebendo jogos amadores e treinamentos para crianças e adolescentes.

Para fazer o campo foi necessário aterrar o terreno rochoso ao sul da ilha de Hellandsøya antes de instalar a grama artificial por onde rola a bola. O estádio, se é que se pode chamar assim, não tem arquibancada, apenas faixas de asfalto ao redor do campo, de onde é possível ver os jogos, mas conta com geradores capazes de alimentar refletores para partidas noturnas.

Apesar de os jogadores terem uma vista especial de dentro do campo, ter que buscar uma bola chutada para longe não deve ser das tarefas mais divertidas…

 Fotos: Reprodução/fonte:[via]

Ele se embrenhou na selva para fotografar um leopardo como você nunca viu

Enquanto a fofura é a palavra de ordem quando fotografamos gatinhos, quando se trata de registrar alguns de seus parentes “maiores”, como os leopardos, o que se procura costuma ser a elegância, a beleza, a velocidade, tudo isso devidamente temperado por uma forte dose, subentendida ou expressa, de agressividade, força, temor e medo. O que o fotógrafo inglês George Turner procurou quando se embrenhou pelas florestas da Tanzânia atrás de um leopardo foi justamente registrar um outro lado do animal.

George procurou o leopardo Ghost por meses pelas matas do Parque Nacional Ruaha, na Tanzânia. No fim, ele teria somente uma semana para conseguir registrar a foto específica com que sonhava – que justamente mostrasse um lado mais doce e tranquilo do animal. Desde sempre, os guias lhe avisaram que Ghost era um leopardo especialmente ágil, perigoso e grande, mas nada disso intimidou George, que é um fotógrafo especializado em vida selvagem.

Depois de muito tempo, subitamente George avistou a imagem exata que sonhara: Ghost, ao fim de uma tarde, dormindo candidamente em cima de sua árvore preferida, em uma doçura proporcional ao seu tamanho. “Ghost parece tão calmo e sereno na imagem, e isso é exatamente como deveria ser e, na verdade, continua a ser”, disse o fotógrafo, que ainda pode observar o animal deitado por mais meia hora, como um privilegiado observador de uma das mais belas e poderosas forças da vida selvagem.

Basta ver algumas outras imagens do trabalho de George para saber que seu olhar é especial – e para reconhecer a beleza, a intensidade e a força da vida selvagem como um todo.

© fotos: George Turner/fonte:via

Conheça o maior organismo vivo já encontrado

Em 1998, um grupo de pesquisadores do Serviço Florestal dos EUA entrou na Floresta Nacional de Malheur para investigar a morte de várias árvores abeto, o famoso pinheirinho de Natal que cresce no Hemisfério Norte. O parque fica na região leste do estado de Oregon, nas Montanhas Azuis.

 
Montanhas Azuis, na região leste do estado de Oregon

A área afetada foi identificada com a ajuda de fotografias aéreas e amostras de raízes de 112 árvores mortas ou que estavam prestes a morrer foram recolhidas. A análise delas mostrou que 108 estavam infectadas com o fungo Armillaria solidipes.

Este fungo cobre 9,6 km2, chegando a ter cerca de 3 km de extensão no maior ponto. Com base nos cálculos dos pesquisadores, o organismo está ali há 2,5 mil anos, mas alguns especialistas acreditam que ele esteja ali há 8 mil anos.

Este fungo gigante se espalha pelo sistema de raízes das árvores, matando-as lentamente. Por isso, não é apenas o maior organismo do mundo, mas também o mais mortal. Por algumas semanas em cada outono, o fungo aparece em aglomerados amarelados de corpo de frutificação e esporos, mas durante o resto do ano o micélio vegetativo fica escondido em uma camada fina branca embaixo da terra. É justamente quando está escondido que ele fica mais mortal.

As árvores costumam se beneficiar da presença de fungos em suas raízes, pois eles ajudam na movimentação de nutrientes no solo. Este tipo específico de fungo, porém, causa o apodrecimento das raízes, matando a árvore lentamente durante décadas. A árvore tenta lutar contra o fungo ao produzir uma seiva preta que escorre pela casca, mas esta é uma batalha perdida.

 

“As pessoas normalmente não pensam que cogumelos matam árvores. O fungo cresce ao redor da base da árvore e então mata todos os tecidos. Pode levar 20, 30, 50 anos antes que ela finalmente morra. Não há movimentação de água ou nutrientes para cima ou para baixo da árvore quando isso acontece”, explica um dos pesquisadores do Serviço Florestal, Greg Filip, ao Oregon Public Broadcasting.

O fungo foi identificado pela primeira vez em 1988, e inicialmente acreditava-se que se tratava de vários organismos diferentes, mas experimentos mostraram que se tratava do mesmo organismo. Quando o micélio de fungos geneticamente idênticos se encontra, eles se unem e formam um indivíduo. Quando os genes dos fungos são diferentes, eles se rejeitam. Assim, os cientistas colocaram na mesma placa de Petri diferentes amostras recolhidas de diferentes pontos. O resultado foi que 61 deles tinham os mesmos genes.

Se todos esses cogumelos fossem reunidos e empilhados, eles pesariam até 31 toneladas. “Nunca vimos nada na literatura que sugere que qualquer outra coisa no mundo é maior em superfície”, diz Filip.

Esse cogumelo pode ser encontrado em outras partes dos EUA e na Europa, mas nenhum é tão grande quanto o encontrado em Oregon. “Quando você percebe que esse fungo se espalha entre 12 a 36 cm por ano e que temos alguma coisa tão grande assim, podemos calcular sua idade”, explica ele.

Corrida contra o fungo

Crédito imagem: Dohduhdah/Wikimedia Commons

O fungo tem preocupado os lenhadores e madeireiras da região, que tentam encontrar uma forma de impedir seu crescimento. Eles já tentaram cortar árvores, cavar as raízes das plantas afetadas e em algumas áreas tentaram remover até a última fibra do fungo que eles encontraram. Este último método produziu o melhor resultado, já que mais pinheiros sobreviveram depois de serem plantados no solo tratado. Mesmo assim, esta técnica é cara e trabalhosa, e nunca será suficiente para eliminar o fungo todo da região.

Outra possível solução é encontrar uma espécie de pinheiro que sobreviva ao fungo e passar a plantar este tipo de árvore na região afetada. Pesquisadores do estado de Washington, vizinho ao norte de Oregon, estão pesquisando quais árvores são menos afetadas pelo fungo, já que o estado também está sofrendo com o problema. “Estamos procurando por uma árvore que possa crescer em sua presença. É besteira plantar a mesma espécie onde há infestação da doença”, diz Dan Omdal, do Departamento de Recursos Naturais de Washington.

O provável, porém, é que a atividade humana não influencie muito no crescimento do fungo, e ele continue existindo abaixo das florestas dos Estados Unidos e Europa por outros milhares de anos. Fonte:[via][Odditycentral, BBC]

Fóssil de floresta de 280 milhões de anos é descoberta na… Antártida

Um toco fossilizado de árvore de 280 milhões de anos ainda ligado às suas raízes na Antártida.
Você se lembra de aprender sobre o Gondwana nas aulas de geografia? Estamos falando de quando o planeta Terra era dividido em apenas dois supercontinentes, sendo que Gondwana incluía a maior parte dos continentes do hemisfério sul hoje.

Ou seja, a Antártida fazia parte deste supercontinente.E, cerca de 400 milhões a 14 milhões de anos atrás, era muito diferente: árvores floresciam perto do Polo Sul.

Um novo estudo de colaboração internacional descobriu, inclusive, fósseis detalhados de algumas dessas árvores, que podem nos ajudar a entender como o local se tornou o mundo gelado que conhecemos atualmente.

Mais quente e mais verde

Quando olhamos para a paisagem branca da Antártida, é difícil imaginar florestas exuberantes. Porém, a verdade é que a região possui um longo histórico de vida vegetal.

“A Antártida preserva uma história ecológica de biomas polares que varia em cerca de 400 milhões de anos, basicamente toda a história da evolução das plantas”, disse Erik Gulbranson, paleoecologista da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, nos EUA.

No passado, o continente era muito mais verde e muito mais quente, embora as plantas que viviam nas baixas latitudes do sul tivessem que lidar com invernos de 24 horas de escuridão por dia, e verões durante os quais o sol nunca se punha, exatamente como é hoje.

Gulbranson e sua equipe querem estudar, em particular, um período de cerca de 252 milhões de anos atrás, durante a extinção em massa do Permiano-Triássico.

Ontem x hoje

Durante esse evento, quase 95% das espécies da Terra morreram. A extinção provavelmente foi conduzida por emissões maciças de gases de efeito estufa vindos da atividade de vulcões, que aumentaram as temperaturas do planeta para níveis extremos e causaram a acidificação dos oceanos.

Se isso parece familiar, é porque é. Essa situação do passado lembra, em partes, as mudanças climáticas contemporâneas, menos extremas, mas igualmente impulsionadas por gases de efeito estufa.

A descoberta

No ano passado, Gulbranson e sua equipe encontraram a floresta polar mais antiga registrada na região antártica. Eles ainda não dataram precisamente essa floresta, mas ela provavelmente floresceu há cerca de 280 milhões de anos, até que foi soterrada de repente em cinzas vulcânicas, que a preservaram até o nível celular.

As plantas estão tão bem conservadas que alguns dos blocos de construção de aminoácidos que compõem as proteínas das árvores ainda podem ser extraídos.

Gulbranson, um especialista em técnicas de geoquímica, afirmou ao portal Live Science que estudar esses blocos de construção químicos pode ajudar a esclarecer como as árvores lidavam com as estranhas condições de luz solar das latitudes do sul, bem como os fatores que permitiram que essas plantas prosperassem.

Que plantas eram estas?

Antes da extinção em massa, as florestas polares da Antártida eram dominadas por um tipo de árvore do gênero Glossopteris.

As Glossopteris dominavam toda a paisagem abaixo do paralelo 35 S – um círculo de latitude que atravessa duas massas terrestres, a ponta sul da América do Sul e a ponta sul da Austrália.

De acordo com Gulbranson, essas plantas gigantes tinham entre 20 a 40 metros de altura, com folhas largas e planas mais longas do que o antebraço de uma pessoa.

Próximos passos

Os pesquisadores vão retornar em breve à Antártida para realizar mais escavações em dois locais, que contêm fósseis de um período abrangente de antes a após a extinção do Permiano.

Neste período posterior, as florestas não desapareceram, e sim simplesmente mudaram. Glossopteris se extinguiu, mas uma nova mistura de árvores de folhas perenes e decíduas, incluindo parentes das árvores Ginkgo atuais, passou a embelezar a paisagem.

“O que estamos tentando pesquisar é o que causou exatamente essas transições. É isso que não sabemos muito bem”, disse Gulbranson.

A resposta provavelmente está nos afloramentos escarpados dos Montes Transantárticos, onde as florestas fósseis foram encontradas. Uma equipe que inclui membros dos Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Itália e França vai acampar neste local por meses, realizando inúmeros passeios de helicóptero para os afloramentos, conforme o clima impiedoso da Antártida permitir.

fonte: [via] [LiveScience]

Conheça o homem que vive sozinho em ilha paradisíaca há 28 anos

Aos setenta e oito anos, Mauro Morandi gosta de caminhar pelas praias rochosas da Ilha Budelli. Enquanto observa o mar desconsolado, sente-se um anão ao lado das forças invisíveis que puxam e contorcem as marés.

“Nós pensamos que somos gigantes, que podemos dominar a Terra, mas somos apenas mosquitos”, diz Mauro.

Em 1989, em um trecho de mar entre a Sardenha e a Córsega, com um motor quebrado à deriva, o catamarã de Mauro foi agarrado por essas mesmas forças inexoráveis e carregado até as margens da Ilha Budelli. Quando soube que o funcionário do governo responsável por cuidar da ilha deixaria o posto em dois dias, Mauro – desencantado com a sociedade – vendeu o catamarã e tomou seu lugar.

Ele vive sozinho na ilha há 28 anos.

O sol ilumina a varanda de Mauro, onde ela gosta de jantar e ler durante o verão.

O Parque Nacional do Arquipélago de Madalena é composto por sete ilhas, e Budelli é considerada a mais bela graças à Spiaggia Rosa – praia rosa em português. A cor da areia possui uma tonalidade incomum por conta de fragmentos microscópicos de corais e conchas, lentamente reduzidos a pó pela força implacável das ondas.

No início dos anos noventa, Spiaggia Rosa recebeu o status de “alto valor natural” pelo governo italiano. A praia foi fechada para proteger o frágil ecossistema e apenas algumas áreas permanecem acessíveis a visitantes. A ilha, que outrora recebia milhares de turistas por dia, passou a ter um único habitante.

Em 2016, após uma batalha legal de 3 anos entre um empresário da Nova Zelândia e o governo italiano pela propriedade da ilha, ficou decidido que Budelli pertence ao Parque Nacional de Maddalena. Naquele mesmo ano, o parque questionou o direito de Mauro de morar na ilha – e o povo respondeu. A petição que protesta contra o seu despejo tem mais de 18 mil assinaturas, e tem os políticos locais a adiar sua expulsão por tempo indeterminado.

Morandi practices tai chi on the beach in the morning, absorbing the sun’s rays and inhaling in the salty air.

“Eu nunca vou sair daqui”, diz Mauro. “Espero morrer aqui, quero ser cremado e ter minhas cinzas jogadas ao vento.” Ele acredita que toda a vida volta para a Terra, e que todos somos parte da mesma energia. Os estoicos da Grécia antiga chamavam isso de simpatheia, a sensação de que o universo é um organismo vivo indivisível e unificado – eternamente em fluxo.

A convicção em nossa interligação estimula Mauro a permanecer na ilha sem receber nada em troca. Todos os dias, ele coleta plástico que chega à praia e se enrosca na delicada flora e fauna. Apesar de uma certa aversão às pessoas, ele protege as margens de Budelli e educa os visitantes que vêm no verão – dando aulas sobre o ecossistema e como protegê-lo.

“Eu não sou botânico ou biólogo”, diz Mauro. “Sim, eu conheço nomes de plantas e animais, mas meu trabalho é muito diferente. Cuidar de uma planta é uma tarefa técnica – eu tento fazer as pessoas entenderem [por que] a planta precisa viver”.

Mauro acredita que ensinar as pessoas a enxergar a beleza  é uma forma mais eficaz de salvar o mundo da exploração que usar argumentos científicos. “Gostaria que as pessoas entendessem que para enxergar a beleza, não devemos olhar, mas senti-la com os olhos fechados”, diz ele.

Invernos em Budelli são particularmente bonitos. Mauro passa longos períodos – mais de 20 dias – sem qualquer contato humano. Ele encontra consolo na introspecção silenciosa que lhe é proporcionada. Muitas vezes, fica na praia com nada além dos sons operísticos do vento e das ondas que marcam o silêncio.

“Isso é quase uma prisão”, ele diz. “Mas é uma prisão que eu mesmo escolhi.”

Mauro passa o tempo com atividades criativas. Ele usa a madeira de zimbro para fazer esculturas e encontra rostos escondidos em suas formas nebulosas. Ele lê com zelo e medita sobre a sabedoria dos filósofos gregos e dos prodígios literários. Tira fotos da ilha, maravilhando-se com as mudanças de uma hora para a outra, ou de uma estação para a outra.

Isso é comum em pessoas que passam longos períodos de tempo sozinhas. Cientistas sempre acreditaram que a solidão alimenta a criatividade. E os inúmeros artistas, poetas e filósofos que produziram suas maiores obras em reclusão da sociedade são evidências disso.

Todas as fotos por Michele Ardu/fonte:via