Serei

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O teu riso


Tira-me o pão, se quiseres,

tira-me o ar, mas não

me tires o teu riso.


Não me tires a rosa,

a lança que desfolhas,

a água que de súbito

brota da tua alegria,

a repentina onda

de prata que em ti nasce.


A minha luta é dura e regresso

com os olhos cansados

às vezes por ver

que a terra não muda,

mas ao entrar teu riso

sobe ao céu a procurar-me

e abre-me todas

as portas da vida.


Meu amor, nos momentos

mais escuros solta

o teu riso e se de súbito

vires que o meu sangue mancha

as pedras da rua,

ri, porque o teu riso

será para as minhas mãos

como uma espada fresca.


À beira do mar, no outono,

teu riso deve erguer

sua cascata de espuma,

e na primavera , amor,

quero teu riso como

a flor que esperava,

a flor azul, a rosa

da minha pátria sonora.


Ri-te da noite,

do dia, da lua,

ri-te das ruas

tortas da ilha,

ri-te deste grosseiro

rapaz que te ama,

mas quando abro

os olhos e os fecho,

quando meus passos vão,

quando voltam meus passos,

nega-me o pão, o ar,

a luz, a primavera,

mas nunca o teu riso,

porque então morreria.

Versos



Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe”. 
O vento da noite gira no céu e canta. 

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu amei-a e por vezes ela também me amou. 

Em noites como esta tive-a em meus braços.

Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. 


Ela amou-me, por vezes eu também a amava.

Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. 

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi. 


Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.

E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. 

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.

A noite está estrelada e ela não está comigo. 


Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.

A minha alma não se contenta com havê-la perdido. 

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.

O meu coração procura-a, ela não está comigo. 


A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.

Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. 

Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.

Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. 


De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.

A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. 

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.

É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. 


Porque em noites como esta tive-a em meus braços,

a minha alma não se contenta por havê-la perdido. 

Embora seja a última dor que ela me causa,

e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.


Pablo Neruda

É Proibido


É proibido chorar sem aprender,

Levantar-se um dia sem saber o que fazer

Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas

Não lutar pelo que se quer,

Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor

Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos

Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,

Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,

Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,

Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,

Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se

desencontraram,

Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,

Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,

Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,

Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,

Não pensar que podemos ser melhores,

Não sentir que sem você este mundo não seria igual.


Pablo Neruda

Saudade


Saudade é solidão acompanhada, 

é quando o amor ainda não foi embora, 

mas o amado já… 


Saudade é amar um passado que ainda não passou, 

é recusar um presente que nos machuca, 

é não ver o futuro que nos convida…


Saudade é sentir que existe o que não existe mais… 


Saudade é o inferno dos que perderam, 

é a dor dos que ficaram para trás, 

é o gosto de morte na boca dos que continuam… 


Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: 

aquela que nunca amou. 


E esse é o maior dos sofrimentos: 

não ter por quem sentir saudades, 

passar pela vida e não viver. 


O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

Sê de Pablo Neruda



Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,

Sê um arbusto no vale mas sê

O melhor arbusto à margem do regato.

Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.

Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva

E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,

Sê apenas uma senda,

Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.

Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso…

Mas sê o melhor no que quer que sejas.



5 culturas exóticas que irão desaparecer em breve

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5 culturas exóticas que irão desaparecer em breve

Conheça aqui algumas culturas que estão à beira da extinção por não viveram como as sociedades ocidentais comuns

 

 

Existem culturas que estão desaparecendo, assim como espécies em extinção, e é possível que não existam mais nos próximos 50 anos. Com costumes bastante exóticos, como dotar animais órfãos ou morar em árvores, essas sociedades representam uma real resistência à cultura ocidental e seus costumes, e por isso mesmo deveriam ser preservadas. Ao contrário disso, entretanto, são perseguidas e vistas com preconceito, o que afeta determinantemente sua sobrevivência histórica e causa muito sofrimento às populações.

Korowai

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Esse povo primitivo vive em casas construídas sobre troncos de uma ou mais árvores, mas, mais do que moradias, essas casas representam a cultura e o estilo de vida dos Korowai. Vivendo no sudeste da Indonésia, constróem casas de de folhas e vegetais a até 12 metros do solo, pelo medo dos Korowai de ataques de cadáveres e necromantes, que aconteceriam durante a noite. Ainda nesse tema do macabro e da magia negra, os Korowai também têm costumes canibais.

Mas, de volta às casas e o seu sistema de medição de tempo: eles não têm dias, semanas, meses ou anos. Aniversários e datas comemorativas, assim como períodos de passagem de tempo, são marcados por locais e casas que o povo habitou. Por isso, existem “eras” marcadas pela construção e destruição de uma ou mais casas, que, no geral, não duram mais de um ano.

San

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Os San, também chamados de “homens das moitas”, são talvez a cultura tribal mais antiga da África. Têm um sistema de crenças próprio, uma linguagem e até uma dança típica, a dança da girafa. As pessoas dessa tribo foram expulsas de onde viviam por exploradores de diamantes, que destruíram os parques de reserva onde viviam, o Parque Central de Kalahari.

Assim como um deles explicou, “a polícia veio e nos jogou nas traseiras de caminhões, com nossas coisas, e nos deixou aqui (em abrigos) pegando AIDS e outras doenças; jovens estão bebendo álcool, e garotas estão tendo bebês”.

Além disso, as autoridades proibiram a caça na maior parte dos locais naturais da reserva, o que impede a manutenção do estilo de vida caçador dos Sans. “Nossas taxas de morte estão aumentando, e eles querem nos erradicar. Os nossos morem de AIDS e tuberculose, e isso não acontecia antes, quando estávamos sozinhos. Os velhos morriam de velhice, e agora vamos a funerais o tempo todo. Em 20 anos, será ‘até mais, homens das moitas’”, afirma o sobrevivente.

Awa

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Antes de ter seu território invadido, os Awa viviam em uníssono com as florestas amazônicas brasileiras, e tinham o costume de adotar animais órfãos, às vezes até mesmo amamentando mamíferos como porcos e macacos.

Mas, em 1967, geólogos acidentalmente encontraram um depósito gigante de ferro no local onde viviam, as montanhas Carajás, o que se transformou num extenso projeto de mineração que, como no caso dos San, acabou desalojando os indígenas. A seguir, madeireiras, latifundiários e outros tipos de criminosos de terras invadiram o local – como aconteceu com grande parte da Amazônia – deixando apenas 350 Awas vivos. Apesar de recentemente terem finalmente sido agraciados com uma lei de proteção, fica a dúvida se isso vai adiantar alguma coisa, na prática

Mursi

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Conhecidas pelos alargadores que usam nos lábios inferiores, as mulheres dessa tribo vêem o adereço como um símbolo de maturidade, algo que faz parte da cultura da tribo. Com em torno de 10 mil pessoas, esse povo etíope é provavelmente o responsável pela popularização dos alargadores, que seguem o mesmo processo gradual, aumentando cada vez mais os tamanhos dos objetos. São alvo da violência de autoridades, que os estupram, batem e matam quando agem contra seus interesses.

Ladakhis

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Esse lugar idílico tinha mandamentos que faziam com que se assemelhasse ao paraíso: todos eram honestos, tolerantes, pacientes e justos, de forma que a desigualdade social praticamente inexistia, assim como a violência.

Todos eram incrivelmente felizes, morando no alto do Himalaia. O local, incrivelmente seco e estéril, ficava completamente isolado até 1962, quando uma estrada foi construída passando pelo local.

Mas foi só na década de 70 que a modernização realmente impactou o local, especialmente culturalmente: vendo os turistas e sua ostentação, logo os costumes mudaram, e os simples e felizes moradores da cidade passaram a se achar pobres. E a ganância, como sempre, acabou com o sonho e tornou esse povo um pouco mais parecido conosco.