Fotógrafa cria série intrigante com retratos pessoas de ponta-cabeça

Estamos sempre acostumados a nos ver do mesmo ângulo no espelho e nas fotos. Com a proposta de dar uma nova perspectiva aos retratos, a fotógrafa Anelia Loubser, baseada na Cidade do Cabo, criou uma série de imagens vistas de ponta-cabeça. 

Em close-ups um tanto quanto sinistros, as imagens da série “Alienation” mostram o quanto somos todos esquisitos de cabeça para baixo, similares a um alienígena. As expressões faciais, as linhas e manchas marcantes do rosto tornam as fotos ainda mais estranhas, parecendo até que as pessoas são realmente de outro mundo se vistas por este perspectiva.

Nem por isso as imagens deixam de conter uma beleza exótica, que emerge no meio dos detalhes e marcas do tempo. Segundo a fotógrafa, a coleção de imagens traz como desafio para o espectador o uso de sua criatividade, baseando-se no conceito do escritor Wayne Dyer: “mude o modo que você olha para as coisas, e as coisas que você olha mudarão”.

Dá uma olhada no resultado super bacana que uma simples mudança de ponto de vista trouxe à tona:

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Todas as fotos © Anelia Loubser

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Série fotográfica mostra o lado da obesidade que pouca gente vê

Hector Garcia Jr. queria ser piloto de caça quando era pequeno. Em seu quarto, assistia a filmes, brincava com miniaturas e imaginava como seria a adrenalina de viver pilotando. Mas não foi bem assim que aconteceu. Aos seis anos já era considerado o mais gordinho da turma, na adolescência foi ridicularizado e durante a vida adulta lutou, mas não como gostaria. O inimigo,seu próprio peso, o fez sofrer em batalhas que duraram toda uma vida. A repórter Jessica Belasco e a fotógrafa Lisa Krantz, do jornal Express-News, acompanharam a difícil vida de Garcia durante quatro anos, o que resultou em uma impactante série fotográfica, que mostra o lado da obesidade que poucos enxergam.

288 quilos. Este foi o peso máximo a que Garcia chegou. A obesidade mórbida foi fruto de uma série de fatores, a começar por sua mãe, Elena Garcia. Casada aos 14 anos, ela mal sabia preparar as refeições de seus seis filhos e acabava usando e abusando de produtos industrializados, sem ter consciência sobre os valores nutricionais do que consumiam. Atendência genética à obesidade também contribuiu e a depressão que veio com a rejeição na adolescência transformou a doença de Garcia em um efeito bola de neve. “A comida não me rejeitava, a comida nunca me falava nada, nunca falava nada de ruim para mim, então eu me confortava ao comer“, afirmava o menino.

Aos 30 anos, ele tentou fazer uma cirurgia de redução de estômago, esperando ter seu problema resolvido. A operação fez com que ele perdesse quase 100 quilos, mas não foi suficiente para combater o “efeito sanfona”. Todo o peso voltou e, anos depois, ele precisou ser submetido a outra cirurgia, desta vez para recuperar os joelhos, danificados pelo excesso de peso. O procedimento fez com que ele perdesse peso novamente, mas em pouco tempo, tudo voltou como era antes. “Ele veio ao mundo com a sorte contra ele. Se você pegasse esse mesmo indivíduo e o colocasse no Afeganistão ou no Iraque, ele provavelmente seria uma das pessoas mais gordinhas por lá, mas eles não têm o acesso a comida, eles não têm campanhas de marketing multimilionárias que o levaram a pesar 200 kg“, explicou o psicólogo e diretor do Centro de Peso e Doenças de Alimentação da Universidade da Pensilvânia, Thomas Wadden.

Garcia viveu toda a sua vida na casa dos pais, não conseguiu ser o piloto de caça que gostaria, ter filhos ou se casar. A batalha contra a obesidade o tornou depressivo, dependente e infeliz. “É difícil lutar pela vida quando eu sinto que minha vida não é uma vida. É existência. Existência não é o suficiente para mim“, disse.

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Em 8 de dezembro de 2014, Garcia se levantou do sofá especial em que vivia recluso, caminhou com dificuldades até a porta da frente, onde estava sua mãe, e pediu ajuda. Não conseguia respirar. Ele faleceu devido a complicações causadas por sua obesidade, mas deixou nesta tocante série de imagens um apelo claro sobre a necessidade de cuidar do corpo e debater a obesidade mórbida, doença que atinge mais de 500 milhões de adultos no mundo.

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Todas as fotos © Lisa Krants/Express-News